
terça-feira, 1 de março de 2011
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
UMA VOZ FEMININA DA NOVA POESIA DO PAJEÚ - VERÔNICA SOBRAL
O fim do nosso amor
Quantos beijos de amor silenciaram
Nossas brigas, por vezes, tão pequenas.
Pra tornar nossas noites mais serenas
Os desejos, por fim, se encarregaram.
As estrelas do céu, em noite plenas,
Tantos planos e sonhos registraram...
No entanto, esses sonhos se acabaram
Num silêncio feroz de um “não” apenas.
Numa noite tristonha... noite de dores
A saudade passou jogando flores
No dilúvio das lágrimas que choramos.
Nosso peito infeliz, dilacerado
Percebeu que havia terminado
O velório do amor que assassinamos!
Veronica Sobral
imagem: " O beijo" de Constantin Brancusi - 1908
Quantos beijos de amor silenciaram
Nossas brigas, por vezes, tão pequenas.
Pra tornar nossas noites mais serenas
Os desejos, por fim, se encarregaram.
As estrelas do céu, em noite plenas,
Tantos planos e sonhos registraram...
No entanto, esses sonhos se acabaram
Num silêncio feroz de um “não” apenas.
Numa noite tristonha... noite de dores
A saudade passou jogando flores
No dilúvio das lágrimas que choramos.
Nosso peito infeliz, dilacerado
Percebeu que havia terminado
O velório do amor que assassinamos!
Veronica Sobral
imagem: " O beijo" de Constantin Brancusi - 1908
SERTANEJOS DO PAJEÚ COMEM CARNE ABATIDA SEM FISCALIZAÇÃO e DE ANIMAIS ALIMENTADOS COM "CAMA DE GALINHA"
Com informações do blog de Nill Junior:
Após a denúncia do blog de que vacas prenhas estão sendo abatidas sem qualquer fiscalização no Matadouro Municipal de Tabira, a Adagro -Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária de Pernambuco - o informou nesta semana que irá buscar explicações da Secretaria de Agricultura de Tabira e do veterinário responsável pelo abate de animais. O vídeo com imagens de filhotes descartados no lixo vem causando grande repercussão na internet.
A divulgação do vídeo no YOU TUBE levou a outra denúncia, através de comentários deixados pelos leitores do blog: A utilização de "cama de frango" para alimentação de animais, na região: “No Pajeú, existe o livre comércio de cama de frango que é proibido no país inteiro. No sertão do Pajeú a Adagro faz vista grossa. Quando ocorrer o primeiro caso de doença da vaca louca, o Brasil não vai poder exportar (sic) ”, disse uma visitante.
Em nota ao blog de Nill Junior nesta sexta-feira, 25, a Adagro informou que a fiscalização em matadouros municipais é responsabilidade da Prefeitura local. Nenhuma atitude pode ser tomada contra o médico veterinário contratado pela prefeitura que estaria permitindo que esse tipo de abate ocorresse (vacas prenhas abatidas no Matadouro Municipal e os bezerros em dias de nascer, descartados).
Já a respeito da denúncia de comercialização de “cama de frango” na região, feita por uma estudante de veterinária ao blog, a Adagro também esclarece que não há legislação que proíba a comercialização da cama de frango no país. Pelo contrário, ela é permitida. No entanto ela só pode ser utilizada como adubo. A comercialização para alimentação de ruminantes é proibida. “Mas como ela pode ser vendida legalmente para ser utilizada como adubo, a fiscalização torna-se difícil".
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Músicos e artistas questionam Eduardo Campos sobre a programação do carnaval
Fonte: DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR
Oito associações de artistas e músicos de Pernambuco entregarão ao governador Eduardo Campos amanhã, às 10h da manhã, uma carta para solicitar esclarecimentos sobre os critérios utilizados na composição da programação de shows de carnaval promovidos pelo governo do estado em 2011.
Segundo eles, houve um descumprimento em relação ao edital de contratação de bandas e cantores. Eles também pretendem levar o documento para a Assembleia Legislativa. Uma manifestação será realizada às 15h no Pátio do Livramento.
Para a próxima segunda, está prevista uma "mobilização em luto pelo que está acontecendo com a cultura pernambucana", com todos vestidos de preto.
Leia a carta na íntegra:
Governador do Estado de Pernambuco,
Nós, músicos, compositores, produtores musicais, arranjadores, auto-produtores, produtores culturais, pesquisadores pernambucanos, representantes de entidades civis e artísticas, entidades, associações, sindicatos e coletivos com atividades voltadas para área musical, reunidos na Torre Malakoff, no dia 24 de fevereiro de 2011, das 09 às 12h.
Considerando a importância da atual historia da música pernambucana como extensão representativa da sociedade civil, organizada, para construção e implementação de políticas públicas voltadas para o segmento musical como meio de intensificar possibilidades inerentes a tais profissionais;
Considerando a necessidade de continuarmos avançando nos aspectos atinentes a toda cadeia produtiva da música, sobretudo na busca da auto-sustentabilidade da produção musical local, com atenção a seguinte síntese indicativa:
- Valorização e valoração do Profissional, apoiando suas entidades representativas e coletivos.
- Eventos democratizadores (igualdade de possibilidade de trabalho, entre todos).
- Fundamentar ações para Geração de Renda entre músicos, como meio de fomentar nova consciência artística.
Considerando os compromissos assumidos pelo Governador durante o período de campanha eleitoral, dos quais, dentre outras conquistas, temos o instrumento de Edital Público tem sido a regra;
Solicitamos esclarecimentos sobre:
1) Descumprimento do Edital de Convocação publicado pela FUNDARPE/Secretaria de Cultura para contratação de artistas para o Carnaval/2011;
2) Como se deu a formatação da grade programação do Carnaval/2011 divulgada recentemente pela EMPETUR, cujo conteúdo encontra-se em desacordo inclusive dos principio norteadores da política cultural construida nos últimos anos.
Representantes de entidades civis, artísticas e produtores do segmento musical reunidos na Torre Malakoff, no dia 24 de fevereiro de 2011, avaliaram o processo de seleção da grade de programação do Carnaval de Pernambuco. Entendem que esta grade divulgada representa um retrocesso à política cultural construída nos últimos anos pela sociedade civil e poder público.
Solicitamos a V. Ex. esclarecimentos sobre o processo de seleção que inclusive desrespeitou o edital de convocação dos grupos musicais publicados pela FUNDARPE.
Recife, 24 de fevereiro de 2011.
Paula de Renor - APACEPE
Tereza Accioly -SOFOPS (Sociedade dos Forrozeiros)
Luciano Brayner - COMISSÃO SETORIAL DA ESCUTA DA MÚSICA DE PERNAMBUCO
Gabi Apolonio - MOVIMENTO DO SAMBA DE PERNAMBUCO
Marcia Xavier - UBC (União Brasileira de Compositores)
Alex Mono - FÓRUM PERMANENTE DA MÚSICA DE PERNAMBUCO
Ivonaldo Von - Ass. Das Orquestras de Frevo do Estado de PE (FREVO PE)
Betinho - Movimento Popular (Grupo COMPASP)
Via RAIMUNDO PAJEÚ : Na Internet e através de e-mails das redes de articulação cultural, artistas e representantes de entidades da área têm protestado e manifestados sua indignação com o retrocesso que representa a programação do Carnaval pernambucano deste ano:
Caros Amigos,
no ano de 2009, escrevei em meu blog que estava sendo criado no Recife o CARNAVAL COONTEMPLATIVO, com o povo parando de dançar para ver os "artistas coonvidados" nos palcos da multicuturalidade que beneficia apenas o lado dos poderosos. Eu até dizia que estávamos vivendo o carnaval do PAC - POVO ACOCORADO E CONTENTE. Não é de hoje que estão usando uma linguagem "científica", gerada por antropólogos acima do Equador para justificar o apequenamento de nossas tradições: Faz mais de duas décadas que não se ouve falar de Zé Pereira; agora não se tem Rei Momo por parecer ser politicamente incorreto para os rins do atual alcaide. E aos poucos matamos o frevo, esprememos os Blocos Líricos, e temos deixado que técnicos matem nossos maracatus - de Baque Virado e de Baque Solto -, nossos Caboclinhos, as troças e clubes mistos exigindo que eles se comportem como as escolas de sambas. Aproveito a oportunidade para pedir que comecemos a mudar essa idéia de premiar os grupos que mais se pareçam com as cortes européias. Vamos aproveitar a oportunidade para voltar a sentir o cheiro do povo, pois esse pessoal que chegou ao poder no Recife e em outras instâncias culturais de nosso Estado está mais para o Figueiredo.
Viva os Guerreiros do Passo
Vivam os Blocos Líricos
Vivam os Maracatus de Nação
Vivam os Maracatus de Rurais de Orquestra
Vivam todos os Frevos
Viva nosso Carnaval
seu de Sempre - Biu Vicente
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De: Humberto Maia [mailto:humberto.maia@gmail.com Para: 'Roberto Silva de Souza' - Assunto: RES: SERA MESMO QUE UM DIA A GENTE CRIA VERGONHA?
Sr. Roberto, Desculpe mas não entendi...
Em 2006 eles prometeram democracia, participação, inserção etc. etc. etc. ... pra 2007. Em 2007 pra 2008. Em 2008 pra 20009. Em 2009 pra 2010. Em 2010 pra 2011... O senhor está propondo esperar por 2012? É isto mesmo ou estou enganado?
Inconformismo? Não! Nós estamos é putos mesmo! Atitude? Isto é uma ação deliberada, dentro de um projeto, fulcro de uma política de terra arrasada, nivelando por baixo.
Colocamos no poder, sim! Mas não lhes demos carta branca para entregar a política cultural a esses energúmenos sapadores das nossas tradições. Não nos resta outra saída...? Pô! Sem comentários...
Basta apenas...? Idem! Feliz Carnaval 2011? Para quem, seu Roberto? Para quem? O senhor sabe? É por estas e outras que tais que estamos no que estamos!
Com todo o respeito... e perplexidade!
Humberto Maia
[]
SAUDADES DO CARNAVAL 2010
Gente minha,
Não me desculpem se acaso incomodo. Pra incomodar é que eu escrevo. Não sou de muita escrita, não tive aula de retórica, sou fraco de argumentação e falar nem é uma coisa que aprecio tanto no meu dia vulgar, mas me arvoro às letras quando entendo que tem precisão de que alguém se manifeste.
Antes de mais nada quero deixar claro que, acanhado como o quê, não sou dono de Maracatu, não danço em afoxé, não toco nem berimbau, nunca desfilei em nada, não tenho banda de rock, desafino para caramba e já sei, não é de hoje, que para nada disso eu tenho jeito. Nascido e criado nesses bairros pobres de “Marré-Descê” não tive incentivo de meus pais, nem de tios, nem de avós, para ser brincante. A preocupação máxima de minha mãe era com a nossa educação (a minha e a de meus quatro irmãos) em escola pública, no tempo que escola pública (ou qualquer outra coisa que carregasse esse adjetivo) tinha alguma qualidade. Também nunca fui muito longe no currículo: não administrei nada que não fosse meu, nada além de minha casa velha, nunca sonhei ser vereador, deputado ou exercer qualquer cargo público neste ou em qualquer outro mundo. Meu pai dizia que “político é ladrão” e desconfio às vezes que a máxima continue valendo. Trabalho duro para levar avante a minha vida igualmente dura. E sou desses a quem se costuma chamar de “Zé Ninguém”, desses que entram mudos e saem calados, gente de paz, pacífica, que faz de tudo para não entrar em briga, que dá um boi para ignorar o espinho.
No entanto, eu hoje quero falar, se me permitem; quero escrever para não morrer entalado, pra não ter derrame, enfarto ou coisa assim. Quero dizer a quem interessar possa, embora a minha fala não tenha a envergadura de quem muito sabe, que esse Zé Ninguém aqui, apesar de todo acanhamento, gosta muito, mas muito mesmo de carnaval (também de São joão, também de natal), mas muito mais das folias de Momo, gosta de ver, gosta de sentir o frevo bem de pertinho, o côco, a ciranda, o Elefante, a Pitombeira, gosta de ver Alaursa, gosta de desfile de troça, gosta de estar lá para sentir um tanto que seja a vida sambando, brincando de ser, pintando o fucinho, se enfeitando as carnes, no calor dos dias fervidos, gosta porque gosta, não por ter sido ensinado, por ter aprendido em canto nenhum senão nas ruas, nas ladeiras de Olinda, nas vielas do Recife antigo.
Gosto porque desde menino vejo, assisto, estou junto. E no que pude incentivar os meus filhos a participar, a gostar, a sentir, eu incentivei. O meu menor, por exemplo, tem 10 anos de idade e tirem tudo dele , mas não tirem o frevo por que se tiram, o fim do mundo se anuncia. Ele tá na escola de passista, ele quer carnaval.
Ontem, quando me mostraram a programação do Governo de Pernambuco, não entendi muito bem o porquê. Alguém aí sabe me explicar? Parece que voltamos pelo menos dez anos no tempo, é uma nojeira do tamanho de um trem. Cadê as coisas boas que ano passado vi em Pesqueira? Cadê os cortejos e as fanfarras? Cadê os maracatus de baque solto? Os tambores do virado? Cadê o povo da gente de novo nas ruas, nos palcos? Eu quase chorei. Sério! Fiquei pensando um bocado: quem foi mesmo que venceu as eleições últimas? Terá sido Jarbas? Porque Jarbas, pelo que lembro, Cadoca, gente sem um pingo de entendimento do que seja cultura popular, é quem patrocinavam esse tipo de coisa: André Rio? Art Popular? Big-Big Samba Club? Arreia Lenha? Bichinha Arrumada? Só faltou o tal Marrom dito Brasileiro para completar a parada.
Há pouco menos de um mês li uma reportagem (acho no JC) com o seu João do Elefante na primeira página do Caderno Viver, ele lá dizendo que o carnaval desse ano ia ser bem ruinzinho. Ruinzinho, seu João? Vai ter de melhorar muito para chegar a ruinzinho. O carnaval desse ano vai ser impossível! Quando a gente achava que as coisas estavam finalmente começando a encontrar os seus eixos, a porcaria volta dobrada. Eu, sinceramente estou chocado! Que é isso, pelo amor de Deus? E ninguém diz nada? Pelo menos nada saiu nos jornais, nem uma queixa que fosse.
Então, por isso, só por isso, pela cara triste do meu filho menor, pela festa regredida, pelo carnaval monocromático, pelo seu João do Elefante, eu resolvi escrever. Quem puder que me dê uma luz. Saudades eu tenho de outros carnavais... acho que o do ano passado já me faz muita falta... e nem faz tanto tempo assim que ele passou.
Ledvaldo Leandro de Andrade
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Assunto: RE: UM CARNAVAL DO RETROCESSO PENAMBUCANO! UM CARNAVAL DE SOFISMAS E DECEPÇOES.
É isso aí Rinaldo, Sandrinha, pessoal do Passo do Carnaval.! Estou com vergonha de mostrar o Carnaval do meu estado e da minha cidade ao povo que vem de fora ver as músicas, as danças, os artistas, as agremiações, enfim a cultura pernambucana!
Já fiquei de queixo caído quando vi que o Bal Masqué, o mais antigo e tradicional baile de máscaras do país, tinha virado uma micareta. Depois o Baile dos Artistas trazendo lixo que nem a mesmo a Bahia quer mais. A escandalosa retirada do Rei Momo do carnaval!!! O Galo da Madrugada com Calypso, Saia Rodada e nem sei mais o quê... Quando saiu a programação do Recife, quase fui para o hospital, depois não acreditei que estava mesmo lendo a programação de Pernambuco (Empetur)...
Bom, isso foi o que me lembrei... No Facebook a revolta é geral! Só nos resta ir às ruas, fazer passeata de protesto...
Abraços frevorosos,
Josué
Folião do Cordas e Retalhos
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
MIRELA SOANE ESCREVE SOBRE MARIA BONITA: A marca de uma sertaneja
Ícone feminino do Cangaço, Maria Bonita completa centenário de nascimento em 8 de março, data em que se comemora o Dia Internacional da Mulher. A jovem ousada, que rompeu preconceitos e tradições para ingressar no bando de Cangaceiros como companheira do líder Virgulino Ferreira da Silva (Lampião), hoje é sinônimo de sofisticação. Maria Bonita empresta seu nome para grifes famosas, hoteis, SPA’s, clínicas de estética e salões de beleza. Maria Bonita virou marca.
“Isso se deve ao fato dela ter sido uma sertaneja de porte fino, elegante e a ideia que se tinha de um sertanejo era de uma figura relaxada com a aparência. Os cangaceiros gostavam de se embelezar e isso desperta a atenção das pessoas já há algum tempo. Zuzu Angel, por exemplo, abordou a temática Cangaço no seu desfile de 1969, em Nova York”, relata Vera Ferreira, neta de Lampião e Maria Bonita.
Na moda, talvez, Maria Bonita tem sua mais conceituada representante desde 1975, quando Maria Cândida Sarmento e Malba Pimentel de Paiva criaram a grife que leva o nome da cangaceira. O objetivo da dupla era atender às mulheres modernas que desejavam uma marca forte, à frente de seu tempo; vesti-las com estilo e elegância, sem condicioná-las a padrões de mercado.
Em 1990, as empresárias criaram a Maria Bonita Extra com a proposta de apresentar peças jovens e girlie. Hoje, as marcas são sinônimo de bom acabamento, despojamento e refinamento, além de serem consideradas “escolas da moda” devido a quantidade de renomados profissionais que passaram pela grife como Isabela Capeto, Antonia Bernardes, Maria Fernanda Lucena e Naná Paranaguá.
A Maria Bonita tornou-se referência no mundo fashionista e participa ativamente dos principais desfiles de moda do país. Recife conta com uma unidade da versão jovem da marca, que, assim como a pioneira, também pode ser encontrada em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Belo Horizonte, Ribeirão Preto, Porto Alegre.
Segundo a jornalista e pesquisadora sobre Cangaço há 15 anos, Wanessa Campos, a companheira de Lampião era um exemplo de beleza para a época. “Baixinha, de pernas grossas roliças, seios pequenos, cabelos finos e olhos claros”, afirma Campos, baseada nos estudos e entrevistas realizadas para a produção de um livro que será dedicado a história da rainha do Cangaço.
“Certamente será algo inédito, já que muitas obras retratam Maria Bonita apenas como coadjuvante. No meu livro, ela será a personagem principal. O trabalho é difícil, mas prazeroso. Tenho viajado muito por cidades de Sergipe e da Bahia conversando com historiadores, ex-volantes e familiares dos Reis do Cangaço, como Expedita (filha) e Vera (neta)”, revela.
Maria Bonita foi a primeira mulher a entrar para o Cangaço. A partir daí, outros integrantes passaram a agregar as companheiras ao bando. Para o historiador e pesquisador, Frederico Pernambucano de Mello, outras duas situações propiciaram a entrada das mulheres no Cangaço: a proximidade do grupo do Baixo São Francisco, possibilitando uma melhor higiene pessoal devido a abundância de água; e o fato de Lampião ter se deparado com a Coluna Prestes e percebido que a presença de mulheres entre eles não influenciava no desempenho dos combatentes.
Maria possibilitou a entrada de mais 40 mulheres no Cangaço, agregando melhores hábitos de higiene e mudanças nas vestimentas. “Dadá, companheira de Corisco, era a responsável pelos desenhos das roupas. Nas cidades que percorriam, os cangaceiros já tinham suas costureiras e periodicamente levavam os desenhos e os tecidos para que as roupas fossem feitas”, afirma Campos.
Por outro lado, Mello garante que as roupas encomendadas eram exceção à rotina dos cangaceiros. Ele afirma que todas as vestimentas, tanto em tecido como em couro, eram feitas no leito do próprio grupo. “A maioria dos cangaceiros sabia costurar e bordar. Apenas quando não tinham tempo disponível, as encomendas eram feitas. Inclusive, Dadá não tinha liderança nenhuma para ditar moda”, garante.
Segundo o historiador e autor do livro “Estrelas de Couro – A Estética do Cangaço”, Lampião bordava de maneira exímia e tinha habilidade na costura do couro e do tecido. “O bordado de Lampião era melhor do que o de Maria Bonita. O bando possuía uma máquina de costura portátil, inclusive registrada em várias fotos, sendo utilizada tanto por Lampião como por outros cangaceiros”, afirma.
Mello relata que em conversa com o cangaceiro conhecido por Candieiro, ele garantiu que Lampião tinha desenvoltura com a costura. “Candieiro contou-me que Lampião fez um jogo de bornais para ele. O rei do Cangaço teria colocado um papel sobre a coxa, desenhado flores e posteriormente bordado a peça na máquina para presentear o colega”.
Já Ferreira afirma que o avô não tinha apreço por costurar. “Falam que Lampião gostava muito de costurar. Ele realmente era muito habilidoso com o couro, mas esta é uma habilidade característica dos vaqueiros, dos sertanejos de maneira geral. Por vezes eles precisavam fazer reparos nas roupas rasgadas pela vegetação seca do sertão”, explica Ferreira.
Embora existam discordâncias quanto aos “responsáveis” pela moda do Cangaço, não se pode negar o curioso. Homens e mulheres vistos como salteadores sanguinários usavam bornais bordados com flores coloridas ou desenhos simétricos, cantis decorados, perneiras de couro com ilhoses e fivelas, chapeus com bordados de estrelas, lenços de seda e tafetá envoltos no pescoço. “Talvez isso tudo venha da alma colorida do brasileiro”, comenta Mello.
De Maria Bonita, hoje, restam dois vestidos que retratam bem a maneira das cangaceiras se vestirem. O chamado vestido de batalha (não no sentido de luta, mas de cotidiano; dia a dia) que faz parte do acervo de Mello é feito em brim grosso, cor de goiaba, enfeitado com galões e com os punhos revestidos em vermelho. O segundo está no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro. O modelo cinza, com riscas de giz e enfeitado com sinhaninha vermelha era mais utilizado aos domingos ou em comemorações especiais.
No bando, as mulheres desempenhavam o papel de companheiras e não tinham, por exemplo, a obrigação de cozinhar. Esta tarefa ficava mais com os homens. A presença do feminino também passava segurança para as pessoas que se deparavam com os cangaceiros. Por vezes Maria Bonita evitou a morte de crianças e idosos. “Além disso, os crimes contra os costumes, como o estupro, também diminuíram”, afirma Mello.
Outro mito é a participação feminina nos combates. As mulheres eram treinadas e aprendiam a atirar apenas para uma possível necessidade de defesa. Elas não participavam ativamente dos tiroteios, exceto Dadá quando substituiu o marido que teve os braços feridos em batalha.
Para Ferreira, o imaginário popular acerca da personalidade de Maria Bonita se confunde com a realidade. “Pouca gente sabe que de brava ela não tinha nada. Minha avó era uma moleca, bem humorada e fazia brincadeira com todo mundo. Ela era amiga, agradável, carinhosa, generosa e cuidava bem das pessoas”, revela. Campos reforça o argumento sobre as lendas que permeiam o universo do Cangaço: “Lampião não inventou o Cangaço, mas foi o cangaceiro mais conhecido. Nem tampouco inventou o Xaxado, mas foi seu grande divulgador”.
O desejo de ser mãe – inerente à maioria das mulheres – também estava presente entre as cangaceiras, embora o estilo de vida do bando não lhes dessem condições de permanecer com os filhos. “Diziam que as mulheres eram muito crueis porque abandonavam seus filhos. Mas, na verdade, elas faziam isso porque não tinham escolha. Se ficassem com a criança, o choro entregaria a localização do grupo; e se retornassem para seus lares certamente seriam entregues e mortas pelas autoridades”, argumenta Campos.
A companheira de Lampião teve quatro gestações, mas apenas a última delas vingou. O bebê recebeu o nome de Expedita e passou somente 21 dias na companhia da mãe até ser entregue para ser criada por um casal que já dispunha de 11 filhos. A criança sabia sua verdadeira origem e poucas vezes encontrou com os pais que a visitavam sempre que podiam. “Os bebês das mulheres do Cangaço eram entregues a pessoas de confiança, padres, fazendeiros, vaqueiros, autoridades e até mesmo policiais”, conta Ferreira.
O romance de Maria Bonita e Lampião durou nove anos. No dia 28 de julho de 1938, na Grota do Angico, na margem sergipana do Rio São Francisco, o bando de Lampião foi atacado de surpresa por soldados da polícia alagoana. No combate, entre os onze mortos estavam os reis do Cangaço.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
domingo, 13 de fevereiro de 2011
REPENTE NO YOU TUBE: LOURO BRANCO E VALDIR TELES
MOTE: É MELHOR MATAR DE FACA / DO QUE MATAR DESSE JEITO.
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