segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

AOS ENCENADORES DE PAIXÃO DE CRISTO


A partir do dia 29 de janeiro estarão abertas as inscrições para o II EDITAL PERNAMBUCO DE TODAS AS PAIXÕES - 2010.
O Regulamento e os Anexos já encontram-se disponíveis na sede da Fundarpe e no site
Fique atento ao prazo para inscrições, que se encerra no dia 19 de fevereiro.

Maiores informações podem ser obtidas pelo telefone (81) 3184-3077 ou pelos emails ccenicas@fundarpe.pe.gov.br e cenicas.fundarpe@gmail.com.

domingo, 3 de janeiro de 2010

UM POEMA, UMA CANÇÃO

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

CANTEIRO DE POESIA -3

A MÍDIA (PIG) TENTOU MINIMIZAR O PAPEL DECISIVO DE LULA EM COPENHAGUE

O papel decisivo de Lula em Copenhague. E o crime do PiG (*)
Paulo Henrique Amorim

Obama chegou a Copenhague decidido a pressionar a China a aceitar um controle externo sobre emissões de gás carbônico.
Por isso, sua primeira reunião bilateral foi com o primeiro ministro chinês Wen Jiabao.
Em pouco tempo, presidente americano percebeu que o chinês não cederia em nada.
Obama saiu da reunião tão indignado, que pediu outra entrevista bilateral com Wen e disse aos assessores que, daí em diante, só falaria com Wen cara a cara.
Ao mesmo tempo, os Estados Unidos tentavam organizar uma reunião com Lula, Manmohan Singh (da Índia) e Jacob Zuna, da África do Sul.
Nessa altura, a confusão era monumental.
Ninguém sabia quem estava onde, e que delegação permanecia em Copenhague.
Uma reunião de Obama com Wen foi agendada para às sete da noite.
Quando Obama saiu de um encontro com líderes europeus, e foi em busca de Wen, lhe informaram que a sala prevista já estava ocupada.
E na sala estavam Wen, Lula, Singh e Zuma.
Obama abriu a porta, entrou e perguntou a Wen, em voz alta – essa parte foi gravada por emissoras de televisão: “Você está pronto para a nossa conversa ?”
E entrou.
Não havia sequer cadeira para o presidente americano. Obama disse que não tinha problema.
Ele se sentaria ao lado do amigo Lula.
E Lula lhe cedeu a cadeira de um dos assessores.
Na verdade, arrumou duas cadeiras, porque Obama veio com Hillary.
Obama decidiu que essa era a oportunidade para falar com todos de uma vez só.
E sua ousadia acabou por lhe ajudar.
Obama anunciou que se eles cinco não fechassem um acordo ali, na hora, ele, Obama, faria um acordo em separado com os europeus.
Não se sabe o que passou a acontecer na reunião.
Mas, daquela reunião saiu o único acordo que hoje se pode celebrar.
Lula não é apenas um lince da política.
Quando ele percebeu que a reunião tinha entrado em ponto morto, pronunciou um ovacionado discurso e, pela primeira vez, para surpresa de seus próprios assessores, anunciou que o Brasil estava disposto a contribuir para um fundo verde global.
Lula sabia que, com isso, deixava Obama com um perfil baixo.
Uma vez mais, Lula soube jogar suas cartas com astúcia e sem estridência.
Não é à toa que Obama disse que ele é “o homem do momento”.
Em seu discurso, Lula disse que o Brasil não aceitaria que as figuras mais importantes do planeta assinassem um documento qualquer só para decidir que nós outros também o assinamos.
Disse que, como crê em Deus e em milagres, “se se produz o milagre, quero fazer parte dele”.
(El País, página 40, domingo, 20 de dezembro de 2009)
Obama se fechou por cinquenta e cinco minutos com Wen.
A Casa Branca anunciou que haveria um segundo encontro.
Na hora marcada para esse segundo encontro, Obama constatou que Lula, o primeiro ministro da Índia Singh, e o presidente sul-africano Zuma estavam já reunidos com Wen.
E estes cinco lideres negociaram o acordo de três paginas que foi apresentado à sessão final.
O que aconteceu em Copenhague ?
A Europa defendeu objetivos ambiciosos que ela não pode e não soube compartilhar com os outros países.
A Europa foi marginalizada por uma coalizão que testemunha a divisão do poder político no mundo de hoje: os Estados Unidos, a China, a Índia, o Brasil e a África do Sul.
(Le Monde, paginas 6 e 2, domingo, 20 de dezembro de 2009)
De volta ao Brasil, me contam que o PiG (*) menosprezou o papel decisivo de Lula em Copenhague.
Criou uma falsa gafe de Dilma.
Deu destaque ao não-evento, que foi o memorável encontro do Zé Alagão com o Berlusconi da Califórnia, Arnold Schwarzenegger.
E disse que Copenhague foi um fracasso.
Esses foram alguns dos pequenos crimes que o PiG (*)cometeu ultimamente.
Na categoria “grandes crimes” se inclui mentir.

(*) PIG: Partido da Imprensa Gopista

CINE SAO LUIZ É REABERTO HOJE

O Cine São Luiz reabre as portas nesta segunda-feira (28). O tradicional Cinema de Recife já está pronto para receber as novas ações culturais do Governo do Estado. Integrado à rede de equipamentos culturais da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), a sala de exibição mais importante do estado será reinaugurada às 19h30. Na ocasião será realizada uma cerimônia de abertura, apenas para convidados, com a presença do governador Eduardo Campos e da presidente da Fundarpe, Luciana Azevedo. O filme que vai marcar a retomada do São Luiz é o longa metragem Baile Perfumado, de Paulo Caldas e Lírio Ferreira. A obra de revitalização foi iniciada em julho deste ano, custou cerca de R$ 1,2 milhão e contou com mais de 50 homens trabalhando em dois turnos, a fim de garantir a conclusão dos serviços até o dia da abertura ao público. Ao todo, funcionários de seis empresas diferentes trabalharam no espaço. LEIA MAIS AQUI

Fonte: Imprensa Fundarpe/Priscilla Buhr

Bandeiras históricas aprovadas na Confecom

Do site Vermelho

Dificuldades metodológicas superadas, os grupos de trabalho constituídos para debater as propostas inscritas na 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) aprovaram uma série de resoluções que respondem a bandeiras históricas das organizações e movimentos sociais ligados à luta pelo direito à comunicação e a democratização da mídia.

Por Cristina Charão, no Observatório do Direito à Comunicação

Estas propostas se tornaram resolução ao receber mais de 80% de aprovação dos delegados em um dos GT’s. Algumas aprovações chegam a surpreender, por serem pautas tradicionalmente rechaçadas pelo empresariado e mesmo por órgãos governamentais.

Por exemplo, foi aprovada a criação de um Conselho Nacional de Comunicação com funções de monitoramento e também de deliberação acerca das políticas públicas do setor. Também passou por consenso nos grupos uma proposta de divisão do espectro radioelétrico entre os sistemas público, privado e estatal numa proporção de 40-40-20.

Outra proposta aprovada nos GTs foi a positivação do direito à comunicação na Constituição Federal. Veja algumas das propostas aprovadas AQUI

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

FREI BETTO em BRASIL DE FATO: APOCALIPSE AGORA


O Apocalipse desponta no horizonte e só há uma maneira de evitá-lo: passar do paradigma de lucratividade para o da sustentabilidade

Frei Betto

O fim do mundo sempre me pareceu algo muito longínquo. Até um contrassenso. Deus haveria de destruir sua Criação? Hoje me convenço de que Deus nem precisa mais pensar em novo dilúvio. O próprio ser humano começou a provocá-lo, através da degradação da natureza.

Os bens da Terra tornaram-se posse privada de empresas e oligopólios. A causa de 4 bilhões de seres humanos viverem abaixo da linha da pobreza, e 1,2 bilhão padecer fome, é uma só: toda essa gente foi impedida de acesso à terra, à água, à semente, às novas técnicas de cultivo e aos sistemas de comercialização de produtos.

A decisão dos EUA e da China de ignorarem a Conferência de Copenhague sobre Mudanças Climáticas torna mais agônico o grito da Terra. Os dois países são os principais emissores de CO2 na atmosfera. São os grandes culpados pelo aquecimento global. Ao decidirem boicotar Copenhague e adiar o compromisso de reduzirem suas emissões, eles abreviam a agonia do planeta.

Felizmente, a 25 de novembro o presidente Obama, sob forte pressão, voltou atrás e desdisse o que falara em Pequim. Os EUA, responsáveis por 23% das emissões mundiais de CO2, prometerá em Copenhague reduzir, até 2020, 17% das emissões de gases de efeito estufa; 30% até 2025; e 42% até 2030.

Por que o recuo? Além da pressão dos ecologistas, Obama deu-se conta de que ficaria mal na foto ignorar Copenhague e comparecer em Oslo, dia 10 de dezembro – quando se comemora o 61º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos – para receber o prêmio Nobel da Paz. Portanto, na véspera estará na capital da Dinamarca.

Curioso, todos os prêmios Nobel são entregues em Estocolmo, exceto o da Paz. Por uma simples e cínica razão: a fortuna da Fundação Nobel, sediada na Suécia, resulta da herança do inventor da dinamite, Alfred Nobel (1833-1896), utilizada como explosivo em guerras. Como não teve filhos, Nobel destinou os lucros obtidos por sua patente a quem se destacar em determinadas áreas do saber.

Há uma lógica atrás da posição ecocida dos EUA e da China. São dois países capitalistas. O primeiro, abraça o capitalismo de mercado; o segundo, o de Estado. Ambos coincidem no objetivo maior: a lucratividade, não a sustentabilidade.

O capitalismo, como sistema, não tem solução para a crise ecológica. Sabe que medidas de efeito haverão de redundar inevitavelmente na redução dos lucros, do crescimento do PIB, da acumulação de riquezas.

Se vivesse hoje, Marx haveria de admitir que a crise do capitalismo já não resulta das contradições das forças produtivas. Resulta do projeto tecnocientífico que beneficia quase que exclusivamente apenas 20% da população mundial. Esse projeto respalda-se numa visão de qualidade de vida que coincide com a opulência e o luxo. Sua lógica se resume a “consumo, logo existo”. Como dizia Gandhi, "a Terra satisfaz as necessidades de todos, menos a voracidade dos consumistas".

Exemplo disso é a recente crise financeira. Diante da ameaça de quebra dos bancos, como reagiram os governos das nações ricas? Abasteceram de recursos as famílias inadimplentes, possibilitando-as de conservar suas casas? Nada disso. Canalizaram fortunas – um total de US$ 18 trilhões - para os bancos responsáveis pela crise. Eduardo Galeano chegou a pensar em lançar a campanha “Adote um banqueiro”, tal o desespero no setor.

O planeta em que vivemos já atingiu os seus limites físicos. Por enquanto não há como buscar recursos fora dele. O jeito é preservar o que ainda não foi totalmente destruído pela ganância humana, como as fontes de água potável, e tentar recuperar o que for possível através da despoluição de rios e mares e do reflorestamento de áreas desmatadas.

Ecologia vem do grego "oikos", significa casa, e "logos", conhecimento. Portanto, é a ciência que estuda as condições da natureza e as relações que entre tudo que existe - pois tudo que existe co-existe, pré-existe e subsiste. A ecologia trata, pois, das conexões entre os organismos vivos, como plantas e animais (incluindo homens e mulheres), e o seu meio ambiente.

Essa visão de interdependência entre todos os seres da natureza foi perdida pelo capitalismo. Nisso ajudou uma interpretação equivocada da Bíblia - a ideia de que Deus criou tudo e, por fim, entregou aos seres humanos para que "dominassem" a Terra. Esse domínio virou sinônimo de espoliação, estupro, exploração. Os rios foram poluídos; os mares, contaminados; o ar que respiramos, envenenado.

Agora, corremos contra o relógio do tempo. O Apocalipse desponta no horizonte e só há uma maneira de evitá-lo: passar do paradigma de lucratividade para o da sustentabilidade.

Frei Betto é escritor, autor do romance “Um homem chamado Jesus”, lançamento da editora Rocco para o Natal 2009.
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