domingo, 11 de outubro de 2009

Edital Prêmio Culturas Populares 2009 recebe quase três mil inscrições

Com quase três mil projetos inscritos até o momento, o Prêmio Culturas Populares - Edição 2009, que homenageia a artesã ceramista do Vale do Jequitinhonha Dona Izabel Mendes da Cunha, surpreende com a participação expressiva em relação às edições anteriores.

Na sua primeira edição, o Prêmio Culturas Populares 2007 - Mestre Duda: 100 anos de Frevo, recebeu 791 iniciativas, sendo 260 contempladas. Na edição Mestre Humberto de Maracanã - 2008, o número de inscritos foi de 826, com 239 contemplados.

Ao todo, a Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (SID/MinC), desde a sua criação, em 2005, já investiu aproximadamente R$ 9 milhões em prêmios e convênios nos editais para as culturas populares.

Fruto das discussões entre a sociedade civil, instituições vinculadas ao MinC e protagonistas dessa vertente cultural, os editais de premiação respondem a uma reivindicação da “Carta das Culturas Populares”, elaborada em Brasília durante o I Seminário Nacional de Políticas Públicas para as Culturas Populares, em 2005.

De acordo com a equipe da Coordenação-Geral de Fomento à Identidade e Diversidade Étnica da SID/MinC, o sucesso do número de inscrições neste ano deveu-se, sobretudo, à parceria com as Representações Regionais do MinC, com os governos estaduais e municipais e com a sociedade civil, que colaboraram muito na realização das mais de 30 Oficinas de Capacitação em diversas cidades do Brasil. Elas serviram para convidar e instruir a população sobre como participar do edital e fizeram parte da estratégia de ampliação e divulgação adotada pela Secretaria. O apoio dos agentes e instituições locais ocorreu não só na infraestrutura mas, principalmente, pelo esforço de mobilização. Em alguns casos, como na oficina realizada em Campo Grande (MS), algumas prefeituras do interior do estado facilitaram o deslocamento de mestres e colaboradores até o local do evento.

Além disso, as oficinas colaboram para sensibilizar os governos locais a adotarem iniciativas semelhantes, como já acontece em diversos estados e municípios brasileiros, que criaram prêmios inspirados na experiência da SID/MinC. Nesse ano foram priorizadas as localidades que tiveram baixos índices de inscrição (absoluto e/ou per capita) nas edições anteriores, como Acre, Amapá, Roraima, Rio Grande do Sul e Bahia.

Para a SID, esses são momentos importantes pelo contato direto com o público-alvo da ação. São momentos de escuta dos grupos e pessoas que compõem os segmentos que as políticas da Secretaria buscam alcançar. Ali são ouvidos diretamente os depoimentos, elogios e as dificuldades que compõem tão diferentes realidades em cada região do país, o que traz elementos importantes para reflexão, avaliação e aperfeiçoamento dos editais de premiação e de outros mecanismos adotados pela SID.

As formas de participação foram facilitadas e algumas inovações, como a inscrição oral, foram adotadas, contribuindo para o maior acesso dos mestres e membros das comunidades brincantes ao edital. A desburocratização também foi uma das diretrizes apontadas na Carta das Culturas Populares, pois o segmento ainda é muito pouco institucionalizado, o que dificulta a participação nas políticas públicas.

Para José Evangelista de Carvalho, mais conhecido como Mestre Zé de Bibi, que teve sua iniciativa contemplada no Prêmio Culturas Populares de 2007 - Edição Mestre Duda, projetos como esses são muito importantes para o país. “O edital serve de estímulo para a promoção das culturas populares”, diz o Mestre. “Com o prêmio que recebi, no valor de 10 mil reais, organizei o Museu do Cavalo Marinho”, completa. Mestre Zé de Bibi, é o único mestre de Cavalo-Marinho de bombo da região nordeste. Há mais de 40 anos está em atividade na cidade de Glória do Goitá/PE. Formou seu grupo de atores e dançarinos com mais de 20 integrantes na comunidade do sítio de Malícia. Suas apresentações despertam nos moradores do local o verdadeiro interesse por sua cultura.

O primeiro Museu do Cavalo Marinho no Brasil está localizado no município de Glória do Goitá (PE), localizado a 66 km de Recife, e este ano foi agraciado também com o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan/MinC), na categoria Salvaguarda de Bens de Natureza Imaterial. Com pouco mais de 25 mil habitantes, o município já teve cinco iniciativas contempladas no Prêmio Culturas Populares.

As inscrições para o concurso foram encerradas no dia 12 de setembro último. Mais iniciativas ainda estão chegando pelos Correios. A lista das iniciativas habilitadas para concorrer será divulgada em outubro, enquanto a lista final dos contemplados está prevista para dezembro.

Fonte: Comunicação/SID

FESTAS, EVENTOS, ACONTECIMENTOS....

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

SEMINÁRIO SOBRE CANGAÇO NO CARIRI


I SEMINÁRIO CARIRI CANGAÇO
De 22 a 26 de Setembro de 2009
Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha e Missão Velha

O Cangaço se configura como um dos fenômenos mais intrigantes da história do povo nordestino. Com uma duração de quase 80 anos, teve no Cariri um de seus principais cenários. As cidades de Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha, Jati, Jardim, Aurora, Porteiras e Missão Velha, fizeram parte importante dessa história que teve seu auge na figura de Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião.

O Cariri cearense, a partir das cidades de Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha e Missão Velha, irão receber no mês de setembro de 2009, as maiores autoridades sobre o tema Cangaço, no Brasil. (LEIA MAIS AQUI)

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

DOCUMENTÁRIO SOBRE GERALDO BARROS


Dentro da programação do FESTIVAL CENA ABERTA de teatro, em Arcoverde-PE, teremos no dia 14 de setembro a estreia nacional do documentário O MONGE GERAL DO TEATRO de Rodolfo Araújo, sobre esse importante nome do teatro de Arcoverde: autor, ator e diretor Geraldo Barros.

AMANHÃ COMEÇA O FESTIVAL DE TEATRO "CENA ABERTA" EM ARCOVERDE

Com financiamento do FUNCULTURA e apoio do SESC e Prefeitura Municipal, a Tropa do Balaco Baco, com coordenação de Romualdo Freitas, realiza a partir de amanhã a mostra de teatro CENA ABERTA em homenagem a Geraldo Barros.
Grupos e Espetáculos:

1. TEATRO DE RETALHOS – Arcoverde - PE - O DESPERTAR DA PRIMAVERA
2. TROPA DO BALACO BACO – Arcoverde - PE - A PAIXÃO E A SINA DE MATEUS E CATIRINA e VADE RETRO – A HISTÓRIA DO HOMEM QUE VENDEU A ALMA AO DIABO...
3. GRUPO MANDA LÁ DE TEATRO - ASSOCIAÇÃO ESTAÇÃO DA CULTURAArcoverde - PE- FEDERIKA – O ARLEQUIM GUERRILHEIRO
4. GRUPO DA GENTE – GRUDAGE – Cabo de Santo Agostinho - PE - O CAVALO QUE DEFECAVA DINHEIRO e VIVA A NAU CATARINETA
5. COLETIVO ENAMORADOS DE TEATRO – CURSO REGULAR DE TEATRO – Recife – PE - ENAMORADOS - A DEMANDA DO AMOR
6. GRUPO ARTE EM CENA – Caruaru – PE - DEUS DANADO
7. LOUCOS E OPRIMIDOS DA MACIEL – Recife – PE - DO MOÇO E DO BÊBADO LUNA
8. – TROUPE PUXINCÓI, TEATRO E VARIEDADES - Tuparetama – PE - DECRIPOLOU TOTEPOU
9. – TROUP ERRANTE – Petrolina – PE - A DONA DA HISTÓRIA
10. TEATRO DE LIROVSKI – Recife-PE / São Paulo-SP - MERCADORIAS E FUTURO
11. O PESSOAL DO TARARÁ – Mossoró-RN - A PELEJA DO AMOR DO AMOR NO CORAÇÃO DE SEVERINO DE MOSSORÓ e O INSPETOR GERALDO
12. CIA. VICE-VERSA – Rio Branco - AC - PEQUENIQUE NO FRONT
13. CIA. DU P’TIT DOIGT – FRANÇA - TOURS LES JOUR EST UM VOYAGE
14. GRANDE COMPANHIA DE MYSTÉRIOS E NOVIDADES - CÍCLOPE

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

TODA COZINHA FALA...

Toda cozinha fala das raízes e simboliza a região de sua origem.
É o resultado quase mágico da mistura de raças, crenças, idéias e ingredientes locais. Quanto mais presentes e em maiores doses os ingredientes dessa mistura, mais nos deparamos com aquilo que comumente se chama de cozinha típica. Por vias tão tênues como as fumaças dos tachos, caldeirões e panelas que acomodam cores, sabores e perfumes, chega-se à fama geral no lastro da aceitação pública(não é assim com a comida baiana e a mineira ?) ou resguarda-se no nicho do exótico. Toda cozinha típica, qualquer que seja sua aceitação, oferece tempero suficiente para bons livros. Ou pelo menos para uma crônica avulsa como esta.

Quando estávamos coletando material para a publicação de “TUPARETAMA–O LIVRO DO MUNICÍPIO” fomos à procura dessas receitas mais significativas, do modo como eram preparadas antigamente, ensinadas de mãe para filha. Algumas delas nos transmitiu Jacinta Valentim, antiga proprietária de hotel, fabricante de divinos queijos-de-manteiga, broas-de-goma, alfenins e doces-de-leite cujos sabores e qualidades sobrevivem nos resguardos da nossa memória. A família Valentim, aliás, é sinônimo de boa comida desde os tempos em que Tuparetama era apenas o povoado Bom Jesus de Afogados da Ingazeira.

De sabor tradicional temos, por exemplo, o Sarapatel e o já citado Queijo de manteiga. O sarapatel é um prato salgado feito com sangue e fígado de bode, carneiro ou porco, este último sendo considerado o mais delicioso para o prato; o sangue e fígado são escaldados, picados em pedaços pequenos e temperados a gosto; cozinha-se com água até reduzir o caldo, acrescentando-se na finalização sebo torrado. O preparo do queijo de manteiga é mais complicado, mais demorado e exige aquela pitada de talento e aptidão natural para a arte, coisas que nenhum livro de culinária ensina e que, ausente do preparo e do preparador, põe muita comida a perder. Coloca-se o leite para coalhar de véspera. No dia seguinte retira-se a nata, coloca-se a coalhada no fogo brando para ‘ficar esperta’(amornar). A coalhada morna é colocada numa mochila de algodão e dependurada para que todo o soro escorra. Quando adquirida uma grande quantidade de coalhada (este processo pode ser feito durante três dias, sempre acrescentando a nova coalhada à coalhada escorrida já existente na mochila) retira-se toda a coalhada escorrida da mochila. A coalhada é esfarelada e vai para o fogo -com um pouco de leite para retirar o ‘azedo’- num tacho de bom tamanho. Repete-se esse processo colocando mais leite e um pouco de água, mexendo com uma colher de pau até dar o ‘ponto’. Retira-se essa massa cozida do fogo e após esfriar, espreme-se até retirar todo o soro azedo. Em seguida a massa é colocada de volta num tacho, aberta e salgada a gosto. Levada novamente ao fogo brando, vai-se colocando manteiga de gado e mexendo até obter o ponto do queijo.

De origem vegetal nada é mais sertanejo que a imbuzada (detesto essa moda recente entre nós de trocar o velho “i” pelo “u”, “umbuzada ) e doce algum é mais de cá quanto o chouriço. Não dou a receita agora, fico devendo pra depois. Você não está sentindo uma vontade danada de parar essa leitura e beliscar qualquer coisa na cozinha?
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