quarta-feira, 9 de maio de 2007

Notas sobre a Guerra da Transposição

imagem: iadb.org
O semi-árido brasileiro, com quase um milhão de km2, praticamente se confunde espacialmente com o bioma caatinga. Se é um semi-árido, significa que tem uma pluviosidade entre 300 e 800 milímetros por ano e um solo que não é deserto em sua composição. Vale lembrar que a pluviosidade média é de 750 milímetros por ano, embora variada no tempo e no espaço, o que significa a precipitação de aproximadamente 750 bilhões de metros cúbicos de água todos os anos sobre o semi-árido. Essa precipitação é segura. Por isso, ele é o mais chuvoso e mais populoso entre os biomas do gênero do planeta. O que falta à população é o acesso a uma capacidade de infra-estrutura capaz de guardar essa água dos tempos chuvosos para os tempos que não chove. Esta é uma tarefa do Governo. De toda essa água que cai, temos infra-estrutura para armazenar apenas 36 bilhões de metros cúbicos. Os restantes 720 bilhões se perdem para o mar ou pela evaporação.
[...]
Como sustentar a indústria da seca senão existir a seca? Não pensem a indústria da seca como apenas a do carro pipa. Esse é seu primo pobre. A principal é a das grandes obras feitas em nome do povo, mas que enriquecem uma elite restrita e privilegiada. Esse é o dilema que se encontra a nova oligarquia Nordestina, justamente quando ela propõe a maior de suas obras, que transita da indústria da seca para o agro e hidronegócio no Nordeste, isto é, a transposição do rio São Francisco. Primeiro conseguiram dividir o semi-árido em dois, como se os problemas e desafios fossem apenas do Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Insistem em ignorar que Bahia, Sergipe, Piauí, Alagoas, Maranhão e Norte de Minas têm os mesmos desafios. Esquecem ainda que a região mais pobre de água do Brasil – embora ainda esteja num nível suficiente segundo padrões da ONU – é o sertão pernambucano. Portanto, pasmem, a região mais pobre de água do Brasil encontra-se no Vale do São Francisco.
[...]
Pessoas costumam ir a Juazeiro/Petrolina e se encantar com o que vêem; isto é, a produção de frutas irrigadas (praticamente reduzidas hoje à uva e manga) e com o verde das áreas irrigadas. Costumam propor essa vitrine como modelo para o resto do Nordeste. Porém se esquecem, ou desconhecem, que os estudos da Embrapa indicam que apenas 5% dos solos do semi-árido são irrigáveis e existe água para irrigar apenas 2%. Portanto, 95% do semi-árido serão sempre semi-árido. Ainda mais, a agricultura de sequeiro, juntamente com a criação de animais de pequeno porte, embora abandonada, é quem põe a mesa do nordestino. O feijão, mandioca, a carne de bode, de galinha, etc., tudo vem da agricultura familiar de sequeiro, não da irrigada. Por mais saborosas que sejam, ninguém vive de chupar manga e uva. Se a irrigação tem um papel, ele sempre será restrito e jamais generalizável.
[...]
Um bom marketing da transposição exigia uma satisfação aos críticos de sua concentração de terra e água, por conseqüência, de poder. Como resposta, o governo acena com assentamento de reforma agrária ao longo dos canais da transposição. É um presente de grego. Ali o cristalino está à flor da terra. Em outros termos, é pura pedra, salvo pequenas manchas férteis. Enquanto oferecem essas terras para assentamentos, o grande capital já se movimenta no vale do Apodi (Rio Grande do Norte) e ao longo dos canais na Paraíba, procurando o povo para adquirir suas terras. Os pequenos agricultores do Apodi e da Paraíba estão preocupados com seu próprio destino. Não é para menos. Em Juazeiro e Petrolina, os pequenos proprietários foram postos de fora, perderam suas terras para os empresários estrangeiros, do sul e do sudeste. Hoje formam um exército de mão de obra barata na cana e na fruticultura irrigada, morando nas periferias dos perímetros irrigados ou nos bairros periféricos das duas cidades. O que se desenha para o futuro está evidente: grandes volumes de água e melhores solos para os empresários do agro e hidronegócio. Para o povo, as pedras.


TRECHOS do artigo "Na Guerra da Transposição não há inocentes" Por Marina dos Santos, Roberto Malvezzi e Temístocles Marcelos . Leia texto completo AQUI

quinta-feira, 3 de maio de 2007

CLÁSSICOS DO CORDEL - 1



Baixe o cordel completo no site Domínio Público

quarta-feira, 2 de maio de 2007


Nordeste é a região que mais necessita de investimentos em educação

O ranking da qualidade do ensino público do país comprova que a Região Nordeste é a que necessita de mais investimentos na área de educação. De cada dez municípios incluídos entre os que têm os piores indicadores nas primeiras séries do ensino fundamental,oito estão no Nordeste.

O levantamento foi feito com base no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgado pelo Ministério da Educação (MEC). Esse indicador, que varia de 0 a 10, leva em consideração o rendimento escolar e a média dos alunos no Sistema Nacional de Avaliação Básica (Saeb) e na Prova Brasil.

Segundo o Ministério da Educação, para ter sistemas educacionais com qualidade equivalente à dos países desenvolvidos, o Ideb deve ser de pelo menos 6,0. Atualmente, a média brasileira é de 3,8.
fonte: Agência Brasil / matéria completa aqui.

O SERTÃO ESTÁ PERDIDO


O sobrinho de quatro anos veio mostrar, todo contente, ontem pela manhã, o boneco de herói que o pai lhe deu.
Eu: Eita! O Super-homem! Bota ele pra voar!
O sobrinho: O nome dele é supermen, tio.

terça-feira, 1 de maio de 2007

FELIZ DIA DO TRABALHO

Segundo o IBGE, quase meio milhão de meninas brasileiras estão trabalhando em casas de terceiros, executando todos os tipos de serviços domésticos, com jornadas excessivas e com pouca ou nenhuma remuneração financeira. São 494.002 trabalhadores domésticos entre 5 e 17 anos, sendo que desse total, 222.865 estão abaixo dos 16 anos.

Foto 1 e mapa: ANDI

Foto: BBC

Foto: ANDI

SUA VONTADE IGUAL À MINHA


ROMEU E EU
conto dialético e, ipso facto, poema romântico
Glauco Mattoso

Eu quero brincar com você.
Papai não deixa.
O Diretor proíbe.
A Esquerda se opõe.

Você me chama
e eu morro de vontade.
Papai me ameaça.
O Diretor me intima.
A Esquerda me aterroriza.

Saio escondido,
procuro por você,
mas eles me acham.
Papai me bate.
O Diretor me põe de castigo.
A Esquerda atenta contra mim.

Fico esperando,
você me procura,
nos encontramos no escuro,
nos pegam em flagrante.
Papai me expulsa.
O Diretor me interna.
A Esquerda me seqüestra.

Escapo e sobrevivo,
mas você não está livre.
É filho de seu Papai.
Disciplinado ao seu Diretor.
Prosélito da sua Esquerda.

Vivo solitário, você prisioneiro,
e não podemos brincar.
Castram nossa infância
porque você é igual a mim,
sua vontade igual à minha,
mas nos fazem diferentes.

Extraído do site do autor

segunda-feira, 30 de abril de 2007

O CÃO GANHOU

Cão Sem Dono foi o grande vencedor do Cine PE - Festival do Audiovisual, em Recife! Encerrado ontem, domingo (29/04), no Centro de Convenções de Pernambuco. O filme foi contemplado com o Prêmio Especial da Crítica e o Troféu Calunga - honraria máxima - de Melhor Longa-Metragem e Melhor Atriz, para a gaúcha Tainá Muller (foto).
O Cine PE é um dos festivais de cinema mais importantes do Brasil. A 11ª edição do evento aconteceu entre os dias 23 e 29 de abril, em Recife. A maratona cinematográfica exibiu 51 filmes, sendo 22 curtas-metragens, 16 longas e 13 vídeos digitais.

Página oficial do filme
Página do CINE-PE
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