segunda-feira, 30 de abril de 2007

HORROR


Nós cidadãos comuns mal sabemos que se passa neste país, consumidores desatentos e ludribiados pela mídia pasteurizada. Que dirá então saber o que acontece com nossos irmãos, vizinhos dessa américa imensa e desarticulada.

Daí é grande a surpresa e o choque diante de informações como estas, lidas no ótimo Tordesilhas: "O jornal El Tiempo, da Colômbia, publicou uma reportagem especial sobre o processo de busca dos desaparecidos no conflito interno que há mais 40 anos opõe narcotraficantes, guerrilheiros, paramilitares e forças armadas. Os números variam entre 10 mil e 30 mil pessoas, a maioria pobres e moradores das zonas rurais. As histórias são arrepiantes, inacreditáveis. Deixa no chinelo o que aconteceu nos Bálcãs e só tem paralelo nos massacres sistemáticos perpetrados por grupos como Khmer Vermelho ou pelas tropas de assassinos da SS que acompanhavam o exército alemão e aplicavam imediatamente a “solução final”. Os depoimentos são tocantes e muitos realmente surpreendentes, como a revelação de que grupos de paramilitares mantinham “escolas de assassinos” nas quais seus membros aprendiam a esquartejar suas vítimas treinando in loco em campesinos que eram seqüestrados com o único propósito de servirem de cobaias nas “aulas práticas”. Eram esquartejados vivos, peça a peça, como uma forma de fazer com que o algoz se acostumasse com o sofrimento e a morte. Parece absurdo? Pois é, e isso acontece logo ali, na Colômbia, no meio da América do Sul."


Texto completo aqui, com links para a reportagem e fotos

Mais explicações no blog Todos os fogos.

BOAS NOVAS


Finalmente o Incra vai acelerar a desapropriação de áreas rurais onde se constatou situações de trabalho escravo e também das propriedades utilizadas para plantio de maconha, essas últimas em maior número aqui no sertão. As terras serão destinadas para reforma agrária.

Notícia completa aqui.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

O QUE É QUE VOCÊ VAI FAZER PARA VIVER?

Imagem: masternewmedia.org.br

Da comunidade VOCÊ É ARTISTA? ISSO PASSA... no Orkut, um tópico bem engraçado. Sim, geralmente os tópicos das comunidades não são engraçados nem têm nada a ver com o tema das comunidades. Este ganha por um quesito, pelo menos.

Danieli: Ocupações pós-modernas para um mundo em que o mercado de trabalho se renova tão rápido, e habilidades se tornam obsoletas com extrema rapidez:
- sommelier de chimarrão;
- personal trainer de cachorro;
- traficante de placebo.
Alex- E corretor de imóveis no Second Life?
[...]- Revisor islâmico online?
Sylvia-Operador de iogurteira?
Alessandro-Massagista de semáforo.
Luiz_Chuck- Tem um que juro que existe: personal iPoder. É um cara que cobra para personalizar sua seleção de músicas do iPod.
Carolina- Personal trainer de cachorro já existe faz tempo.
Jorge-INÚTEIS
[...] -Criador de fakes no Orkut . Ah, esse também já tem. Inúteis existem faz tempo...
Thiago - Limpador autônomo de ouvidos.
Alessandro- Limpador otônomo, então?
Novilingüista -Seria uma ocupação pós-moderna? Não, em 1984 já era velha.
[...] - Se não me engano na China já existe essa profissão citada pelo Thiago. Os caras limpam a ferro, nada de cotonete.
Danieli - Blogueiro.
E -Limpador otomano de olvidos.
Danieli -Eu tava mesmo precisando de um limpador de olvidos pra dar um jeito na minha memória. Mais uma que já existe, mas tem que aproveitar enquanto o mercado ainda não está saturado: programador performer. http://www.gazirababeli.com
Sergio Ramiro- Eu sabia! tudo isso pra chegar num spam.
[...]- Imitadores de Cicarelli
Gabriel - Personal artist. Já vi um personal artist. Consiste em dar dicas de museus para pessoas que vão viajar para a Europa, por exemplo.Eu lanço o personal friend, para um ser endinheirado que não tenha muitos amigos
Rodolfo- Personal não rala, tem toque e perfume suave.
E - Todo poder aos pseudo-personals.
Giselle- Estilista-deputado?
Luther- Luther não ser personal nothing. Luther querer ser personal stormtrooper de Lord Vader. Ou de Fidel Castro.
[...] - De Fidel não dá, já está ocupado pelo Chavez .
Kelly kill- Persoanl-terrorist-suicide retirador de pentelhos do sabonete.
Sergio Ramiro - Persoanal. Num mundo que só tem cuzão é a profissão do momento.
[...] - Personal não é marca de papel higiênico?
Lílian- Recolhedor de lixo de celebridade, quem sabe....?

ad infinitum

quarta-feira, 25 de abril de 2007

PORQUE ARTE CONTEMPORÂNEA É MAIS ESTRANHA QUE O CU DA GIA.

Tirinha: Malvados
Bienal
Zeca Baleiro e Zé Ramalho

Desmaterializando a obra de arte do fim do milênio
Faço um quadro com moléculas de hidrogênio
Fios de pentelho de um velho armênio
Cuspe de mosca, pão dormido, asa de barata torta

Teu conceito parece, à primeira vista,
Um barrococó figurativo neo-expressionista
Com pitadas de arte nouveau pós-surrealista
Ao cabo da revalorização da natureza morta

Minha mãe certa vez disse-me um dia,
Vendo minha obra exposta na galeria,
"Meu filho, isso é mais estranho que o cu da gia
E muito mais feio que um hipopótamo insone"

Pra entender um trabalho tão moderno
É preciso ler o Segundo Caderno,
Calcular o produto bruto interno,
Multiplicar pelo valor das contas de água, luz e telefone,
Rodopiando na fúria do ciclone,
Reinvento o céu e o inferno

Minha mãe não entendeu o subtexto
Da arte desmaterializada no presente contexto
Reciclando o lixo lá do cesto
Chego a um resultado estético bacana

Com a graça de Deus e Basquiá
Nova York, me espere que eu vou já
Picharei com dendê de vatapá
Uma psicodélica baiana

Misturarei anáguas de viúva
Com tampinhas de pepsi e fanta uva
Um penico com água da última chuva,
Ampolas de injeção de penicilina

Desmaterializando a matéria
Com a arte pulsando na artéria
Boto fogo no gelo da Sibéria
Faço até cair neve em Teresina
Com o clarão do raio da siribrina
Desintegro o poder da bactéria

Com o clarão do raio da siribrina
Desintegro o poder da bactéria.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

BIOCOMBUSTÍVEL DE ALGAROBA


Já se sabia que sua madeira é de excelente qualidade para fazer cercas e outras construções rurais, além de dar um ótimo carvão. Sua vagem é rica em fibras, sais minerais, carboidratos e açúcares, o que a torna um alimento de alto valor nutricional e que pode virar farinha, mel, açúcar, vinagre, ração animal e até aguardente. A novidade, fruto de uma parceria entre a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) é que a Prosopis juliflora, conhecida como algarobeira, também poderá encher o tanque do seu carro. O primeiro álcool de algaroba (vagem da algarobeira) foi extraído este ano pela equipe liderada pelo engenheiro agrícola Mário Eduardo Mata, professor daUFCG.
(***)
Adaptada ao calor e a solos rasos, a algarobeira domina a paisagem da caatinga, apesar de não ser nativa da região. A espécie foi introduzida no Brasil na década de 1940, vinda do Peru e do Sudão, e se proliferou com uma velocidade impressionante. Apesar do potencial nutricional para a alimentação humana, a planta é usada pela população sertaneja basicamente para a produção de madeira, carvão e ração animal. É essa subutilização que Silva busca eliminar com o desenvolvimento de novos produtos de algaroba, entre os quais o álcool combustível.
Leia a reportagem completa de Fabio Reynol AQUI

PROGRAMA


Tudo sobre o Festival AQUI

domingo, 22 de abril de 2007


Silvino Pirauá de Lima nascido em Patos (PB) em 1848 é um dos grandes nomes da poesia popular.
Admirável tocador de viola e exímio repentista, na opinião de F.Chagas Batista no seu já clássico "Cantadores e poetas populares".
Silvino foi um dos iniciadores do cordel nordestino, sendo o criador do nosso romance em versos. São de sua autoria, entre outros: "História do Capitão do Navio","História das três moças que queriam casar com um só moço","Zezinho e Mariquinha","A vingança do Sultão","Descrições da Paraíba".


E Tudo Vem a Ser Nada
Silvino Piruá

Tanta riqueza inserida
Por tanta gente orgulhosa,
Se julgando poderosa
No curto espaço da vida;
Oh! que idéia perdida.
Oh! que mente tão errada,
Dessa gente que enlevada
Nessa fingida grandeza
Junta montões de riqueza,
E tudo vem a ser nada.

Vemos um rico pomposo
Afetando gravidade,
Ali só reina bondade,
Nesse mortal orgulhoso,
Quer se fazer caprichoso,
Vive de venta inchada,
Sua cara empantufada,
Só apresenta denodos
Tem esses inchaços todos
E tudo vem a ser nada.

Trabalha o homem, peleja
Mesmo a ponto de morrer,
É somente para ter,
Que ele se esmoreja,
As vezes chove e troveja
E ele nessa enredada
À lama, ao sol, ao chuveiro,
Ajuntam muito dinheiro,
E tudo vem a ser nada.

Temos palácios pomposos
Dos grandes imperadores,
Ministros e senadores,
E mais vultos magestosos;
Temos papas virtuosos
De uma vida regrada,
Temos também a espada
De soberbos generais,
Comandantes, Marechais,
E tudo vem a ser nada.

Honra, grandezas, brazões;
Entusiasmos, bondades;
São completas vaidades
São perfeitas ilusões,
Argumentos, discursões;
Algazarra, palavrada,
Sinagoga, caçoada,
Murmúrios, tricas, censura,
Muito tem a criatura,
E tudo vem a ser nada.

Vai tudo numa carreira
Envelhece a mocidade,
A avareza e a vaidade
É quer queira ou não queira;
Tudo se torna em poeira,
Cá nesta vida cançada
É uma lei promulgada
Que vem pela mão Divina,
O dever assim destina
E tudo vem a ser nada.

Formosuras e ilusões,
Passa-tempos e prazeres;
Mandatos, altos poderes;
De distintos figurões,
Cantilenas de salões;
E festa engalanada,
Virgem-donzela enfeitada
No gozo de namorar,
Mancebos a flautear,
E tudo vem a ser nada.

Lascivas, depravações
Na imoral petulância,
São enlevos da infância,
São infames Corrupções;
São fingidas seduções
Que faz a dama enfeitada
Influi-se a rapaziada
Velhos também de permeio
E vivem nesse paleio,
E tudo vem a ser nada.

Bailes, teatros, festins,
Comadre, drama, assembléa,
Club, liceu, epopéa;
Todos aguardam seus fins,
Flores, relvas e jardins,
Festas com grande zuada,
Outeiro e Campinada
Frondam, compam e florescem,
Brilham, luzem, resplandecem
E tudo vem a ser nada.

O homem se julga honrado,
Repleto de garantia,
De brazões e fidalguia
É ele considerado,
Mas, quanto está enganado
Nesta ilusória pousada
Cá nesta breve morada.
Não vemos nada imortal
Temos um ponto final;
E tudo vem a ser nada.

Tudo quanto se divisa
Neste cruento torrão,
As árvores, a criação,
Tudo em fim se finaliza,
Até mesmo a própria brisa,
Soprando a terra escarpada,
Com força descompassada
Se transformando em tufão,
Deita pau rola no chão,
E tudo vem a ser nada.

Infindo só temos Deus,
Senhor de toda a grandeza,
Dos céus e da natureza,
De todos os mundos seus.
Do Brasil, dos Europeus,
Da terra toda englobada
Até mesmo da manada
Que vemos no arrebol:
Nuvem, lua, estrela e sol,
Tudo mais vem a ser nada.

BOMBA NA PACIÊNCIA

Até então as maiores agressões da banda MASTRUZ COM LEITE eram contra o forró, a mpb e o bom gosto. Nem quando gravaram uns cds com repertório de bons artistas populares ( Gonzagão, Pinduca...) nos convenceram de possuir alguma qualidade.

Mas vá lá, somos tolerantes pouco exigentes. E por causa disso, mais jabás e investimentos do mercado fonográfico, a banda cresceu, faz sucesso.

Só que agora eles passaram dos limites!
É de uma irresponsabilidade tremenda gravar e divulgar essa coisa intitulada BOMBA NO CABARÉ. Uma inacreditável mistura de preconceito, incitação à violência e desvalorização da mulher.

Maior ainda a irresponsabilidade das rádios e dos comunicadores pernambucanos que tocam essa música. Basta lembrar que Pernambuco é o estado com maior índice de violência contra a mulher.

Fala-se em proibir a música, recolher cds. Até o governador Eduardo Campos se manifestou a respeito da gravação. Eu sou terminantemente contra qualquer tipo de censura. Há outros caminhos para educar essa gente. Por que não um bom processo judicial contra o compositor e a gravadora?

Para você que não conhece a letra:

BOMBA NO CABARÉ
Mastruz com Leite


Jogaram uma bomba, no cabaré...
Voou pra todo canto pedaço de mulher ( + 1x)

Foi tanto caco de puta voando pra todo lado
Dava pra apanhar de pá, de enxada e de colher!

No meio da rua tava os braços de Teresa,
No meio-fio tava as perna de Raché,
Em cima das telha os cabelo de Maria,
No terraço de uma casa tava os peito de Isabé!

Aí eu juntei tudo e colei bem direitinho
fiz uma rapariga mista, agora todo homem quer!

Pode jogar uma bomba lá no cabaré,
Que eu junto os cacos das puta
Pra fazer outra mulher!( + 3x)

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