sexta-feira, 20 de abril de 2007

POVOS INDÍGENAS DE PERNAMBUCO

Imagem: UFPE


" Existem Índios em Pernambuco?
A resposta negativa a essa pergunta é ouvida da imensa maioria da população, na Escola e até mesmo na Universidade.

O desconhecimento da realidade indígena, em Pernambuco, está associado basicamente à imagem do índio que é tradicionalmente veiculada pela mídia: um índio genérico com um biótipo formado por características correspondentes aos indígenas de povos habitantes na Região Amazônica e no Xingu, com cabelos lisos, pinturas corporais e abundantes adereços de penas, nus, moradores das florestas, de culturas exóticas etc.. "
[ Leia texto completo de Edson Silva aqui ]

ATIKUM
População total: 5.025
Localização: Belém de São Francisco, Carnaubeira da Penha, Mirandiba, Salgueiro
Extensão da terra demarcada: 16.290 ha
Posto indígena: PI Atikum
Situação jurídica: Homologada
FULNI-Ô
População total: 3.578
Localização: Águas Belas e Itaíba
Extensão da terra demarcada: 57.739 ha
Posto indígena: PI Fulni-ô
Situação jurídica: Em Identificação
KAMBIWÁ
População total: 1.578
Localização: Floresta, Ibimirim, Inajá
Extensão da terra demarcada: 31.495 ha
Posto indígena: PI Kambiwá
Situação jurídica: Homologada
KAPINAWÁ
População total: 2.686
Localização: Buíque
Extensão da terra demarcada: 12.403 ha
Posto indígena: PI Kapinawá
Situação jurídica: Homologada
PANKAIUKÁ
População total:
Localização: Inajá
Extensão da terra demarcada:
Posto indígena:
Situação jurídica: Em estudo
PANKARÁ
População total: 1.025
Localização: Carnaubeira da Penha e Floresta
Extensão da terra demarcada:
Posto indígena:
Situação jurídica: Não estudada
PANKARARU
População total: 5.880
Localização: Jatobá, Petrolândia e Tacaratu
Extensão da terra demarcada: 8.100ha
Posto indígena: PI Pankararu
Situação jurídica: Homologada
PIPIPÃ
População total:
Localização: Floresta
Extensão da terra demarcada:
Posto indígena:
Situação jurídica: Não estudada
TRUKÁ
População total: 1.333
Localização: Cabrobó
Extensão da terra demarcada: 9.688 ha
Posto indígena: PI Truká
Situação jurídica: Delimitada
TUXÁ
População total: 1.630
Localização: Inajá
Extensão da terra demarcada: 164 ha
Posto indígena: Não existe
Situação jurídica: Adquirida pela CHESF
XUKURU
População total: 6.363
Localização: Pesqueira
Extensão da terra demarcada: 27.555 ha
Posto indígena: PI Xukuru
Situação jurídica: Homologada

Fonte: dados preliminares do Projeto Território e Memória Indígena no Nordeste Brasileiro, desenvolvido na Fundaj em parceria com o Museu Nacional/ UFRJ Coordenação de Estudos Indígenas (Dipes/Fundaj)

MAIS INFORMAÇÕES SOBRE OS POVOS INDÍGENAS DE PERNAMBUCO:
ESPECIAL DO JORNAL DO COMMÉRCIO/ FUNDAJ - A RETOMADA INDÍGENA
INFORMAÇÕES DO SITE PERNAMBUCO DE A-Z

21 de abril- UMA HISTÓRIA DE TRAIÇÃO e A TRAIÇÃO DA HISTÓRIA


Sempre me perguntei, desde as primeiras lições de História do Brasil na sala de aula, por que Tiradentes foi o escolhido, dentre tantos que tivemos, como mártir da luta pela independência do Brasil? Por que 21 de abril é feriado nacional e não outras datas mais significativas?

Não é de hoje que nossa gente tem memória curta e pouca consideração por sua História; não é de hoje que a elite nacional manipula esses ingredientes de acordo com suas conveniências.

Por isso acabei de ler com grande satisfação o livro A IDEIA REPUBLICANA NO BRASIL, co-edição do Ministério da Educação e da Fundação Joaquim Nabuco, de 1990, reunindo uma série de pronunciamentos e artigos do Major pernambucano José Domingues Codeceira a propósito da exaltação da Inconfidência Mineira como símbolo da luta republicana, em detrimento da história e do pioneirismo dos pernambucanos.

Na apresentação do livro, o jornalista Leonardo Dantas já esclarece a injustiça:

Proclamada a República, eis que os guardiões das tradições libertárias de Pernambuco esperaram um melhor tratamento dos responsáveis pela preservação da memória histórica da Pátria Brasileira. Por cultuar um ideário nativista desde os tempos da guerra contra a Holanda (1630-1654), quando, sozinhos, lutaram contra as bem municiadas e adestradas tropas da Companhia das Índias Ocidentais e por sua participação nos movimentos libertários de 1710, 1817, 1824 e 1848, os nascidos em Pernambuco se julgam diferenciados dos habitantes das demais províncias. O seu território mutilado, a memória de sua gente e o sangue dos seus mártires estavam a reclamar um melhor tratamento pelos, então, dirigentes da República Federativa que se desejava implantar.
(***)
Os titulares da nova ordem, preocupados com a estabilização do regime, fizeram-se de surdos aos clamores, preferiram ignorar as razões do Direito para não tomar conhecimento dos clamores dos pernambucanos .Nos mapas que o mutilaram, para fixar a imagem do poeta João Cabral, Pernambuco foi condenado a permanecer horizontal pagando pelo crime de ter sido republicano bem antes das demais províncias.
Os brios dos pernambucanos, porém, não puderam suportar quando o Governo Provisório da República resolveu, em 1890, através de um decreto, considerar como data nacional o 21 de abril consagrado à comemoração dos precursores da independência brasileira resumidos em Tiradentes.(***)


Daí vieram os pronunciamentos e artigos de Codeceira, como o seguinte, publicado à época no Diário de Pernambuco:

(***) tive ocasião de erguer um brado de solene protesto (***) quando o governo provisório da República considerava, por um decreto, dia de festa nacional o 21 de abril, consagrado à comemoração dos precursores da independência brasileira resumidos em Tiradentes.
Tendo assim procedido não posso deixar que passe em silêncio o vosso anúncio, convidando o povo pernambucano e o governo do Estado a vos acompanhar na festa cívica que pretendeis fazer em homenagem à memória do centenário de Tiradentes, por ter sido o primeiro sangue popular que irrigou a árvore da liberdade no solo brasileiro!.

(***) Não! Mil vezes não! Esta glória pertence somente ao pernambucano Bernardo Vieira de Mello, e àqueles que o acompanharam na jornada do ato solene manifestado no glorioso dia 10 de novembro de 1710, no Senado da cidade de Olinda. (***) primeiro movimento armado para a independência nacional e forma do governo republicano (***) Este ato cívico e de arrojado patriotismo deu lugar a um terrível massacre na família pernambucana, subindo a 722 o número de suas vítimas que com seu generoso sangue saturaram o solo da pátria, regando com ele a soberba árvore da liberdade, por eles plantada pela primeira vez no solo americano.(***)

Se Tiradentes foi um mártir da liberdade, não foi por certo o primeiro a irrigar a árvore da liberdade com o generoso sangue popular como dizeis no vosso anúncio. Esta glória cabe somente aos pernambucanos nossos avós.
Deixai que Minas e a Capital Federal, mesmo que todo o Sul enfim, não tendo outro mártir que derramasse o seu sangue, por amor à liberdade, festejem o centenário deste único, o Tiradentes; porque eles não se ocupam em festejar os nossos; e nem mesmo os conhecem.

O pobre Tiradentes a não ser o gênero da morte que lhe deram, não teria sido um mártir, apenas passaria, na história, por uma vítima inocente da sua imprudência e loquacidade; visto que a Inconfidência Mineira nunca passou de uma conjuração de poetas (***)
Tiradentes morreu como um bom católico e não como o herói padre Roma, apontando o coração àqueles que tinham de o fuzilar: Aqui é o centro da vida (***) recusara nobremente a proteção que lhe queria dar o Conde dos Arcos, insinuando-o a que negasse a sua firma; lhe respondia reconhecendo e confirmando a assinatura do seu nome como secretário da junta governativa!

Senhores da União Cívica, é preciso não esquecer os nomes dos pernambucanos, que pelo seu civismo se tornaram beneméritos da pátria, bem como dos nossos irmãos do norte, que sempre nos acompanharam no esforço e no martírio pela liberdade nas revoluções de 1710, 1817 e 1824.

Pertenceis à União Cívica e deixastes passar despercebido não só o dia 10 de novembro, como o glorioso 6 de março, um dos maiores dias para Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará! (***)

Apenas comemorastes o 13 de janeiro, aniversário da morte do herói Caneca, com uma festa pálida. Se a este herói fosse permitido ressuscitar, cobriria hoje a cara de vergonha e daria as costas a filhos tão degenerados. (***)
Como se tem degenerado a raça pernambucana! É força confessá-lo.
Não é, portanto, de estranhar que a União Cívica também procure hoje esquecer o martírio que sofreram seus antepassados, antes da Inconfidência Mineira, para dar essa glória a Tiradentes!

(***) lembrai-vos que nesta cidade acabou nas mãos do algoz, em 1817, o benemérito patriota Domingos Teotônio, com firmeza e heroísmo (***) assim também acabaram Barros Lima, padre Teotônio, Antônio Henrique, Amaro Gomes, Inácio Leopoldo, padre Antônio Pereira, José Peregrino e Francisco Silveira; pernambucanos e paraibanos.
A todos estes foram cortadas as cabeças e mãos, e os troncos amarrados à cauda de cavalos e arrastados pelas ruas da cidade (***).
Em 1824 foram aqui fuzilados Frei Caneca, Lázaro Macário, Agostinho, Monte, Nicolau, Redgers e Fragoso; no Rio de Janeiro, Loureiro, Mitovik e Ratcliff; e no Ceará o padre Gonçalo Mororó, Cel. Pessoa Anta, Azevedo Bolão, Silca Carapinima, Ibiapina e Feliciano; muitos outros que se achavam ausentes foram condenados à morte, banidos, concedendo-se direito a qualquer pessoa do povo de os poder matar livremente.

De todos esses mártires vos tendes esquecido (***)


José Domingues Codeceira
Recife, Diário de Pernambuco de 20 de março de 1892


[Do arquivo do blog anterior]

quarta-feira, 18 de abril de 2007

O HOMEM CEDE AO DESEJO COMO A NUVEM CEDE AO VENTO


ANDAVA A LUA NOS CÉUS
António Botto


Andava a lua nos céus
Com o seu bando de estrelas
Na minha alcova
Ardiam velas
Em candelabros de bronze
Pelo chão em desalinho
Os veludos pareciam
Ondas de sangue e ondas de vinho
Ele, olhava-me cismando;

E eu,
Plácidamente, fumava,
Vendo a lua branca e nua
Que pelos céus caminhava.

Aproximou-se; e em delírio
Procurou avidamente
E avidamente beijou
A minha boca de cravo
Que a beijar se recusou.

Arrastou-me para ele,
E encostado ao meu hombro
Falou-me de um pagem loiro
Que morrera de saudade
À beira-mar, a cantar...

Olhei o céu!
Agora, a lua, fugia,
Entre nuvens que tornavam
A linda noite sombria.

Deram-se as bocas num beijo,
Um beijo nervoso e lento...
O homem cede ao desejo
Como a nuvem cede ao vento
Vinha longe a madrugada.

Por fim,
Largando esse corpo
Que adormecera cansado
E que eu beijara, loucamente,
Sem sentir,
Bebia vinho, perdidamente
Bebia vinha..., até cair.

Aves de Um Parque Real
As Canções de António Botto
Editorial Presença - 1999

terça-feira, 17 de abril de 2007


Amanhã, dia 18 (quarta-feira) a comunidade espírita mundial comemora os 150 anos de lançamento de O Livro dos Espíritos.

Este marco literário, assinado pelo educador francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, sob o pseudônimo Allan Kardec , representou a pedra fundamental do Espiritismo, que através da obra propagou a doutrina dos espíritos e se consolidou pelo mundo afora. O Livro dos Espíritos sobressai-se ainda como um dos best-sellers da literatura espiritualista.


Para comemorar o sesquicentenário, a SEMIL - Sociedade Espírita Missionários da Luz - de Tuparetama-PE elaborou uma programação que acontecerá dia 18, nas escolas da cidade com palestra sobre o tema O QUE É ESPIRITISMO, encenação livre e realização de enquetes sobre o assunto.


Um website - Espiritismo 150 anos - foi criado pela FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA especialmente para a divulgação dos eventos em homenagem ao sesquicentenário. Nesse espaço, o internauta encontrará histórias ilustrativas sobre o Espiritismo, o surgimento do Espiritismo no Brasil e no Mundo, a história da Federação Espírita Brasileira, artigos de cunho doutrinário e informações sobre o crescente mercado editorial espírita.


O QUE SEU RAIMUNDO ESTÁ OUVINDO E VIU E RECOMENDA

Rita Ribeiro- Tecnomacumba
Norah Jones - Not too late
Alcimar Monteiro- O verdadeiro Forró

segunda-feira, 16 de abril de 2007

CHOVE?


Contagem regressiva para a seca no Pajeú.
Até agora as chuvas na região têm sido poucas e muito irregulares. Desde o início de abril que não chove. Quem plantou está assistindo à morte dos roçados sem água. Se até o final do mês não chover teremos praticamente a perda de 90% da produção local de alimentos, quase toda ela de subsistência.

Nosso grande problema não é a falta de chuvas, é a falta de políticas públicas voltadas para a educação do campo, o desenvolvimento sustentável, a implementação de tecnologias alternativas para a convivência com o semiárido.

LEITE DE LETRAS, LEITE DE PEDRAS

Ler pelo Não
Paulo Leminski

Ler pelo não, quem dera!
Em cada ausência, sentir o cheiro forte
do corpo que se foi,
a coisa que se espera.
Ler pelo não, além da letra,
ver, em cada rima vera, a prima pedra,
onde a forma perdida
procura seus etcéteras.
Desler, tresler, contraler,
enlear-se nos ritmos da matéria,
no fora, ver o dentro e, no dentro, o fora,
navegar em direção às Índias
e descobrir a América.

Do livro "Distraídos venceremos", Editora Brasiliense, 1991.
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