quarta-feira, 4 de abril de 2007
quarta-feira, 28 de março de 2007
CONTRA TRISTEZA, TOME CORDEL
Grande Debate de Lampião com São PedroJosé Pacheco
Para me certificar
Da morte de Lampião
Arrumei o matulão
E andei p’ra me acabar
Não escapou-me um lugar
Do Brasil ao Estrangeiro
Percorri o mundo inteiro
Procurando a realeza
Até que tive a certeza
Da morte do Cangaceiro.
Andei nas areias gordas
Pilão sem boca e macumba
As ribeiras de cazumba
Estas eu remechi todas
Passei nas várzea das poudras
Fui à baixa da folia
Levei uma companhia
Deixei no bico da pata
Passei nas brechas da gata
Dormi na boca da gia.
Fui à Serra do Cambão
Desci na jumenta prenha
Mandei Chico Tomás Lenha
No Engenho de Felipão
Pindoba de Damião
Fica perto da Furada
Lá deixei um camarada
Caminhei mais légua
Dormi na baixa da égua
Perto da Tábua Lascada
Depois eu fui à Quinzanga
O Engenho de Seu Melo
Subi para o Birimbelo
Cheguei na Chã da Munganga
Treis cassetes de Zé Panga
Já fica do outro lado
Fui ao Cambito Quebrado
Do Rodete de Pinheiro
Deixei o meu companheiro
Na bargada dum sevado
Passei na Chã da Risada
Desci na Fazenda Mole
Fui à Usina do Fole
De Bertolina Pelada
Segui pela mesma estrada
Do alto da geringonça
Do tapado do Mendonça
Puxei para virador
E mandei um portador
Dormir na Boca da Onça
E atravessei os mares
Montado em um planeta
Que ao som de uma trombeta
Vinha descendo dos ares
Visitando aqueles lares
Terra de santos e fadas
Naquela mesma jornada
Encostei no arrebol
Cheguei na Terra do Sol
Na Casa da Madrugada
Ela me deu um abraço
E prestou-me bem atenção
Mandou chamar o verão
No reino do mestre Espaço
Depois chegou o mormaço
E saiu muito vexado
Porque estava ocupado
No palácio da manhã
Tratando da sua irmã
Mulher do vento gelado
Continuei a viagem
Com boa capa de luva
Porque a terra é de chuva
E mora Dona Friagem
Seu palácio era na margem
Do rio Major Relento
Descansei no aposento
Da velha seca puxada
Nesta noite a trovoada
Deu uma surra no vento
No reino da Branca Aurora
encontrei a brisa mansa
que vinha trazer lembrança
À princesa Deusa Flora
A neve aquela hora
Em sua alcova dormia
Depois o sol lhe surgia
Desfazer-lhe do regaço
Enquanto pelo espaço
A neve branca corria
P’ra saber de Lampião
Qual foi a parada sua
Subi à terra de lua
Escanchado num trovão
Encontrei um ancião
Velho, barbado e corcundo
Que vinha do fim do mundo
Me viu e foi me contando
Que viu São Pedro açoitando
Um epírito vagabundo
Chegou no céu, Lampião
A porta estava fechada
Ele subiu a calçada
Ali bateu com a mão
Ninguém lhe deu atenção
Ele tornou a bater
Ouviu São Pedro dizer
Demore-se lá. Quem é?
Estou tomando café
Depois vou receber
São Pedro depois da janta
Gritou por Santa Zulmira:
-Traz o cigarro caipira
Acendeu no de São Pranta
Apertou o nó da manta
Vestiu a casaca e veio
Abriu a porta do meio
Falando até agastado:
-Triste do homem empregado
Que só lhe chega aperreio
Abriu na frente o portão
Ficou na trave escorado
Branco da cor de um finado
Quando avistou Lampião
Mas com a trave na mão
Não temeu de lhe falar
E disse: -Aqui não se dar
Aposento a gente mal
Senão que entrar no pau
Acho bom se retirar
Lampião lhe respondeu :
Não venha com seu insulto
Você é um santo bruto
Que ofensa lhe fiz eu?
E mesmo o céu não é seu
Você também é mandado
Portanto esteja avisado
Se não deixar eu entrar
Nós vamos experimentar
Quem é que tem bom guardado
Você não entre atrevido
São Pedro lhe disse assim :
Ingresso a quem é ruim
Nesta porta é proibido
Não sabes que sois bandido
Roubador da vida humana
Alma ferina e tirana
Coração cruel perverso!
Como queres um ingresso
Nesta mansão soberana
-É certo fui bandido
Perverso, estrompa, voraz
Porém, quem foi não é mais
É mesmo que não ter sido
Mesmo eu sou garantido
Por um provérbio que tenho
Escrito sobre um desenho
Por pessoas elevadas
À qual diz: - Águas passadas
Não dão voltas a meu engenho
— Não quero articulação
Você aqui nada tem
— É como você também
Lhe respondeu Lampião
É porque do seu patrão
Você transmite um mandado
Eu tenho visto empregado
Sair do trabalho expulso
Sem direção, sem ricurso
Por qualquer trabalho errado
Ali falou São Bernardo
Que também vinha chegando
— Pedro você está brincando
Com este cabra safado?
Vá me chamar São Ricardo
E São Francisco da Penha
Diga a São Tomé que venha
E chame São Juvenal
Traga um pau do quintal
E uma lasca de lenha
São Pedro ergueu-se nos pés
E disse de cara feia:
— Pra dar num cabra de peia
Não precisa oito nem dez
E gritou por São Moisés:
— Vamos dar no bandoleiro
Saltou no meio do terreiro
Até preparar a faca
Gritando : - Quebra uma estaca
Arranque um pau do chiqueiro
São Paulo estava no quinta
Mas ouvindo a discussão
Apertou o cinturão
E botou a faca na cinta
Encontrou Santa Jacinta
Que lá vinha no caminho
E disse a Santo Agostinho
Arretorcendo o bigode:
Arreda que tu não pode
Eu pego o cabra sozinho
Porém antes de pegar
Desceu um grande corisco
Jogado por São Francisco
Da porta do quarto andar
Num tremendo ribombar
Um trovão também desceu
O espaço escureceu
Veio um forte pé-de-vento
Lampião neste momento
Dali desapareceu
Poeta tem liberdade
Sagrado dom da Natura
Conforme a literatura
Escreve o que tem vontade
Também a propriedade
Precisa o dono ter
Pelo menos vou dizer
Se meu espírito não mente
Poeta também é gente
Também precisa comer.
imagem: gettyimages
Campo Minado Mário Maranhão / Mário Marcos / Maxcilliano
Já andei por tantas terrasJá venci mil guerras
Já levei porradas, dominei meu medo
Já cavei trincheiras no meu coração.
Descobri nos pesadelos sonhos mutilados
E acordei no meio de anjos cansados
De serem usados pela solidão.
Ah! Meu coração é um campo minado
Muito cuidado, ele pode explodir!
E se depois de tão dilacerado
For desarmado por quem há de vir
Alguém que queira compensar a dor
Plantar o sonho e ver nascer a flor
Alguém que queira então me residir
E explodir meu coração de amor.
sábado, 24 de março de 2007
MEU SÃO JOSÉ, DAI-NOS LICENÇA....
Antes que o mês de São José acabe deixo aqui minhas devotadas homenagens ao santo querido dos sertanejos.Como tem José no Pajeú!
Eu sou um Zé, meus irmãos todos trazem o nome do santo no registro. É Zé também meu pai. E os meus tios, meu vizinho, alguns sobrinhos, quase metade do povo do lugar.
E viva São José!
Que ládonde está, bem pertinho de Nosso Senhor, convença-O mais uma vez a relevar os descuidos dessa gente contra a mãe natureza e mande água, mande chuva, o sertão precisa.
sexta-feira, 23 de março de 2007
"ONDE MANDO EU, PRIMEIRO OS MEUS" - NEPOTISMO NO PAJEÚ
Ilustração de Richard CookDe tão comum e tão antiga entre nós, a prática do nepotismo ainda resistirá por longo tempo, até que a população se dê conta da necessidade de combatê-la. Serão necessários muitos anos de educação, exercício de cidadania, campanhas e implementação de uma lei moral que chamaremos aqui de "vergonha na cara".
Somente por causa da grande pressão exercida pelo Ministério Público alguns gestores dos municípios do Pajeú estão enviando projetos sobre o assunto para as câmaras e afastando seus parentes dos cargos de confianças.
Mas a exemplo do que escrevi um parágrafo acima, a prática ainda reina no Pajeú. E temos nossos destaques, citados até no blog de Magno Martins. Sãos os prefeitos de Flores, Marconi Santana, de Ingazeira, José Veras e de São José do Egito, Evandro Valadares. Para se ter uma idéia, Marconi, o líder, deu emprego a 21 parentes.
MATANÇA
Composição:Jatobá
Cipó caboclo tá subindo na virola
Chegou a hora do pinheiro balançar
Sentir o cheiro do mato da imburana
Descansar morrer de sono na sombra da barriguda
De nada vale tanto esforço do meu canto
Pra nosso espanto tanta mata haja vão matar
Tal mata Atlântica e a próxima Amazônica
Arvoredos seculares impossível replantar
Que triste sina teve cedro nosso primo
Desde de menino que eu nem gosto de falar
Depois de tanto sofrimento seu destino
Virou tamborete mesa cadeira balcão de bar
Quem por acaso ouviu falar da sucupira
Parece até mentira que o jacarandá
Antes de virar poltrona porta armário
Mora no dicionário vida eterna milenar
Quem hoje é vivo corre perigo
E os inimigos do verde da sombra, o ar
Que se respira e a clorofila
Das matas virgens destruídas vão lembrar
Que quando chegar a hora
É certo que não demora
Não chame Nossa Senhora
Só quem pode nos salvar é
Caviúna, cerejeira, baraúna
Imbuia, pau-d'arco, solva
Juazeiro e jatobá
Gonçalo-alves, paraíba, itaúba
Louro, ipê, paracaúba
Peroba, massaranduba
Carvalho, mogno, canela, imbuzeiro
Catuaba, janaúba, aroeira, araribá
Pau-fero, anjico amargoso, gameleira
Andiroba, copaíba, pau-brasil, jequitibá.
quinta-feira, 22 de março de 2007
Deliberações da 1º Conferência Estadual de Cultura de Pernambuco
Obrigatoriedade da vinculação de repasse no orçamento do poder público para cultura; garantindo no mínimo 2% do orçamento estadual para cultura.Eixo 2- Cultura é Direito e Cidadania:
Implantação de espaços culturais nos municípios, com estruturas para teatro, cinema, dança e manifestações culturais para realização de projetos de circulação e oficinas de arte, dança e musica assim como uma rede de estúdio comunitário por município que garanta a inclusão digital e a gravação de cd’s para os diversos grupos locais, cujas decisões serão tomadas paritariamente com os seus respectivos Conselhos Municipais de políticas Culturais. Eixo 3– Economia da Cultura:
Garantir a vinculação de, no mínimo, 2% dos orçamentos públicos para a área da cultura, com apoio integral ao movimento nacional, pela aprovação da PEC 150/2003, com a devida alteração para garantir os 2% do orçamento nos 03 níveis: federal, estadual e municipal.Eixo 04– Patrimônio Cultural:
O governo estadual deverá criar novos mecanismos e investimentos financeiros para promover, consolidar e incrementar manifestações culturais, favorecendo intercâmbio, valorizando e estimulando a história e o patrimônio material e imaterial do Estado, com o apoio do governo federal e municipal.Eixo 05– Comunicação é Cultura:
Criar e qualificar espaços públicos municipais e estaduais (estrutura e serviços), transformando-os em centros culturais, com verba viabilizada pelos Fundos de Cultura.Eixo 06–Formação e Capacitação Cultural:
Criar e manter Centros e Unidades Móveis Culturais articulados com os municípios objetivando:- estimular a formação nas diversas técnicas de expressões artísticas cultural, processos de gestão e produção (pública e privada),- garantir acesso público a instrumentos de pesquisas (bibliotecas, laboratórios de informática, fóruns, debates, etc.) e espaços para manifestações artísticas (exposições, exibição de audiovisuais, estúdio de gravação, expressões da cultura popular e dos ciclos culturais), de forma plural e participativa, na sua criação e gerenciamento.
Conheça (e cobre) todas as outras propostas aqui
BELEZA É PARA POUCOS

O amigo foi para participar das encenações da Paixão de Cristo na ilha. Telefonou para mim hoje à tarde:
- Acabei de chegar em Fernando de Noronha. Multiplique por mil as belezas que vimos nas fotos. É o lugar mais bonito que já visitei!
Completa:
- É o mais caro também!
E conclui exemplificando a indignação econômica:
- Imagine só, uma tapioca chega a custar 3 reais!!!
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