segunda-feira, 30 de abril de 2007

O CÃO GANHOU

Cão Sem Dono foi o grande vencedor do Cine PE - Festival do Audiovisual, em Recife! Encerrado ontem, domingo (29/04), no Centro de Convenções de Pernambuco. O filme foi contemplado com o Prêmio Especial da Crítica e o Troféu Calunga - honraria máxima - de Melhor Longa-Metragem e Melhor Atriz, para a gaúcha Tainá Muller (foto).
O Cine PE é um dos festivais de cinema mais importantes do Brasil. A 11ª edição do evento aconteceu entre os dias 23 e 29 de abril, em Recife. A maratona cinematográfica exibiu 51 filmes, sendo 22 curtas-metragens, 16 longas e 13 vídeos digitais.

Página oficial do filme
Página do CINE-PE

HORROR


Nós cidadãos comuns mal sabemos que se passa neste país, consumidores desatentos e ludribiados pela mídia pasteurizada. Que dirá então saber o que acontece com nossos irmãos, vizinhos dessa américa imensa e desarticulada.

Daí é grande a surpresa e o choque diante de informações como estas, lidas no ótimo Tordesilhas: "O jornal El Tiempo, da Colômbia, publicou uma reportagem especial sobre o processo de busca dos desaparecidos no conflito interno que há mais 40 anos opõe narcotraficantes, guerrilheiros, paramilitares e forças armadas. Os números variam entre 10 mil e 30 mil pessoas, a maioria pobres e moradores das zonas rurais. As histórias são arrepiantes, inacreditáveis. Deixa no chinelo o que aconteceu nos Bálcãs e só tem paralelo nos massacres sistemáticos perpetrados por grupos como Khmer Vermelho ou pelas tropas de assassinos da SS que acompanhavam o exército alemão e aplicavam imediatamente a “solução final”. Os depoimentos são tocantes e muitos realmente surpreendentes, como a revelação de que grupos de paramilitares mantinham “escolas de assassinos” nas quais seus membros aprendiam a esquartejar suas vítimas treinando in loco em campesinos que eram seqüestrados com o único propósito de servirem de cobaias nas “aulas práticas”. Eram esquartejados vivos, peça a peça, como uma forma de fazer com que o algoz se acostumasse com o sofrimento e a morte. Parece absurdo? Pois é, e isso acontece logo ali, na Colômbia, no meio da América do Sul."


Texto completo aqui, com links para a reportagem e fotos

Mais explicações no blog Todos os fogos.

BOAS NOVAS


Finalmente o Incra vai acelerar a desapropriação de áreas rurais onde se constatou situações de trabalho escravo e também das propriedades utilizadas para plantio de maconha, essas últimas em maior número aqui no sertão. As terras serão destinadas para reforma agrária.

Notícia completa aqui.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

O QUE É QUE VOCÊ VAI FAZER PARA VIVER?

Imagem: masternewmedia.org.br

Da comunidade VOCÊ É ARTISTA? ISSO PASSA... no Orkut, um tópico bem engraçado. Sim, geralmente os tópicos das comunidades não são engraçados nem têm nada a ver com o tema das comunidades. Este ganha por um quesito, pelo menos.

Danieli: Ocupações pós-modernas para um mundo em que o mercado de trabalho se renova tão rápido, e habilidades se tornam obsoletas com extrema rapidez:
- sommelier de chimarrão;
- personal trainer de cachorro;
- traficante de placebo.
Alex- E corretor de imóveis no Second Life?
[...]- Revisor islâmico online?
Sylvia-Operador de iogurteira?
Alessandro-Massagista de semáforo.
Luiz_Chuck- Tem um que juro que existe: personal iPoder. É um cara que cobra para personalizar sua seleção de músicas do iPod.
Carolina- Personal trainer de cachorro já existe faz tempo.
Jorge-INÚTEIS
[...] -Criador de fakes no Orkut . Ah, esse também já tem. Inúteis existem faz tempo...
Thiago - Limpador autônomo de ouvidos.
Alessandro- Limpador otônomo, então?
Novilingüista -Seria uma ocupação pós-moderna? Não, em 1984 já era velha.
[...] - Se não me engano na China já existe essa profissão citada pelo Thiago. Os caras limpam a ferro, nada de cotonete.
Danieli - Blogueiro.
E -Limpador otomano de olvidos.
Danieli -Eu tava mesmo precisando de um limpador de olvidos pra dar um jeito na minha memória. Mais uma que já existe, mas tem que aproveitar enquanto o mercado ainda não está saturado: programador performer. http://www.gazirababeli.com
Sergio Ramiro- Eu sabia! tudo isso pra chegar num spam.
[...]- Imitadores de Cicarelli
Gabriel - Personal artist. Já vi um personal artist. Consiste em dar dicas de museus para pessoas que vão viajar para a Europa, por exemplo.Eu lanço o personal friend, para um ser endinheirado que não tenha muitos amigos
Rodolfo- Personal não rala, tem toque e perfume suave.
E - Todo poder aos pseudo-personals.
Giselle- Estilista-deputado?
Luther- Luther não ser personal nothing. Luther querer ser personal stormtrooper de Lord Vader. Ou de Fidel Castro.
[...] - De Fidel não dá, já está ocupado pelo Chavez .
Kelly kill- Persoanl-terrorist-suicide retirador de pentelhos do sabonete.
Sergio Ramiro - Persoanal. Num mundo que só tem cuzão é a profissão do momento.
[...] - Personal não é marca de papel higiênico?
Lílian- Recolhedor de lixo de celebridade, quem sabe....?

ad infinitum

quarta-feira, 25 de abril de 2007

PORQUE ARTE CONTEMPORÂNEA É MAIS ESTRANHA QUE O CU DA GIA.

Tirinha: Malvados
Bienal
Zeca Baleiro e Zé Ramalho

Desmaterializando a obra de arte do fim do milênio
Faço um quadro com moléculas de hidrogênio
Fios de pentelho de um velho armênio
Cuspe de mosca, pão dormido, asa de barata torta

Teu conceito parece, à primeira vista,
Um barrococó figurativo neo-expressionista
Com pitadas de arte nouveau pós-surrealista
Ao cabo da revalorização da natureza morta

Minha mãe certa vez disse-me um dia,
Vendo minha obra exposta na galeria,
"Meu filho, isso é mais estranho que o cu da gia
E muito mais feio que um hipopótamo insone"

Pra entender um trabalho tão moderno
É preciso ler o Segundo Caderno,
Calcular o produto bruto interno,
Multiplicar pelo valor das contas de água, luz e telefone,
Rodopiando na fúria do ciclone,
Reinvento o céu e o inferno

Minha mãe não entendeu o subtexto
Da arte desmaterializada no presente contexto
Reciclando o lixo lá do cesto
Chego a um resultado estético bacana

Com a graça de Deus e Basquiá
Nova York, me espere que eu vou já
Picharei com dendê de vatapá
Uma psicodélica baiana

Misturarei anáguas de viúva
Com tampinhas de pepsi e fanta uva
Um penico com água da última chuva,
Ampolas de injeção de penicilina

Desmaterializando a matéria
Com a arte pulsando na artéria
Boto fogo no gelo da Sibéria
Faço até cair neve em Teresina
Com o clarão do raio da siribrina
Desintegro o poder da bactéria

Com o clarão do raio da siribrina
Desintegro o poder da bactéria.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

BIOCOMBUSTÍVEL DE ALGAROBA


Já se sabia que sua madeira é de excelente qualidade para fazer cercas e outras construções rurais, além de dar um ótimo carvão. Sua vagem é rica em fibras, sais minerais, carboidratos e açúcares, o que a torna um alimento de alto valor nutricional e que pode virar farinha, mel, açúcar, vinagre, ração animal e até aguardente. A novidade, fruto de uma parceria entre a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) é que a Prosopis juliflora, conhecida como algarobeira, também poderá encher o tanque do seu carro. O primeiro álcool de algaroba (vagem da algarobeira) foi extraído este ano pela equipe liderada pelo engenheiro agrícola Mário Eduardo Mata, professor daUFCG.
(***)
Adaptada ao calor e a solos rasos, a algarobeira domina a paisagem da caatinga, apesar de não ser nativa da região. A espécie foi introduzida no Brasil na década de 1940, vinda do Peru e do Sudão, e se proliferou com uma velocidade impressionante. Apesar do potencial nutricional para a alimentação humana, a planta é usada pela população sertaneja basicamente para a produção de madeira, carvão e ração animal. É essa subutilização que Silva busca eliminar com o desenvolvimento de novos produtos de algaroba, entre os quais o álcool combustível.
Leia a reportagem completa de Fabio Reynol AQUI

PROGRAMA


Tudo sobre o Festival AQUI

domingo, 22 de abril de 2007


Silvino Pirauá de Lima nascido em Patos (PB) em 1848 é um dos grandes nomes da poesia popular.
Admirável tocador de viola e exímio repentista, na opinião de F.Chagas Batista no seu já clássico "Cantadores e poetas populares".
Silvino foi um dos iniciadores do cordel nordestino, sendo o criador do nosso romance em versos. São de sua autoria, entre outros: "História do Capitão do Navio","História das três moças que queriam casar com um só moço","Zezinho e Mariquinha","A vingança do Sultão","Descrições da Paraíba".


E Tudo Vem a Ser Nada
Silvino Piruá

Tanta riqueza inserida
Por tanta gente orgulhosa,
Se julgando poderosa
No curto espaço da vida;
Oh! que idéia perdida.
Oh! que mente tão errada,
Dessa gente que enlevada
Nessa fingida grandeza
Junta montões de riqueza,
E tudo vem a ser nada.

Vemos um rico pomposo
Afetando gravidade,
Ali só reina bondade,
Nesse mortal orgulhoso,
Quer se fazer caprichoso,
Vive de venta inchada,
Sua cara empantufada,
Só apresenta denodos
Tem esses inchaços todos
E tudo vem a ser nada.

Trabalha o homem, peleja
Mesmo a ponto de morrer,
É somente para ter,
Que ele se esmoreja,
As vezes chove e troveja
E ele nessa enredada
À lama, ao sol, ao chuveiro,
Ajuntam muito dinheiro,
E tudo vem a ser nada.

Temos palácios pomposos
Dos grandes imperadores,
Ministros e senadores,
E mais vultos magestosos;
Temos papas virtuosos
De uma vida regrada,
Temos também a espada
De soberbos generais,
Comandantes, Marechais,
E tudo vem a ser nada.

Honra, grandezas, brazões;
Entusiasmos, bondades;
São completas vaidades
São perfeitas ilusões,
Argumentos, discursões;
Algazarra, palavrada,
Sinagoga, caçoada,
Murmúrios, tricas, censura,
Muito tem a criatura,
E tudo vem a ser nada.

Vai tudo numa carreira
Envelhece a mocidade,
A avareza e a vaidade
É quer queira ou não queira;
Tudo se torna em poeira,
Cá nesta vida cançada
É uma lei promulgada
Que vem pela mão Divina,
O dever assim destina
E tudo vem a ser nada.

Formosuras e ilusões,
Passa-tempos e prazeres;
Mandatos, altos poderes;
De distintos figurões,
Cantilenas de salões;
E festa engalanada,
Virgem-donzela enfeitada
No gozo de namorar,
Mancebos a flautear,
E tudo vem a ser nada.

Lascivas, depravações
Na imoral petulância,
São enlevos da infância,
São infames Corrupções;
São fingidas seduções
Que faz a dama enfeitada
Influi-se a rapaziada
Velhos também de permeio
E vivem nesse paleio,
E tudo vem a ser nada.

Bailes, teatros, festins,
Comadre, drama, assembléa,
Club, liceu, epopéa;
Todos aguardam seus fins,
Flores, relvas e jardins,
Festas com grande zuada,
Outeiro e Campinada
Frondam, compam e florescem,
Brilham, luzem, resplandecem
E tudo vem a ser nada.

O homem se julga honrado,
Repleto de garantia,
De brazões e fidalguia
É ele considerado,
Mas, quanto está enganado
Nesta ilusória pousada
Cá nesta breve morada.
Não vemos nada imortal
Temos um ponto final;
E tudo vem a ser nada.

Tudo quanto se divisa
Neste cruento torrão,
As árvores, a criação,
Tudo em fim se finaliza,
Até mesmo a própria brisa,
Soprando a terra escarpada,
Com força descompassada
Se transformando em tufão,
Deita pau rola no chão,
E tudo vem a ser nada.

Infindo só temos Deus,
Senhor de toda a grandeza,
Dos céus e da natureza,
De todos os mundos seus.
Do Brasil, dos Europeus,
Da terra toda englobada
Até mesmo da manada
Que vemos no arrebol:
Nuvem, lua, estrela e sol,
Tudo mais vem a ser nada.

BOMBA NA PACIÊNCIA

Até então as maiores agressões da banda MASTRUZ COM LEITE eram contra o forró, a mpb e o bom gosto. Nem quando gravaram uns cds com repertório de bons artistas populares ( Gonzagão, Pinduca...) nos convenceram de possuir alguma qualidade.

Mas vá lá, somos tolerantes pouco exigentes. E por causa disso, mais jabás e investimentos do mercado fonográfico, a banda cresceu, faz sucesso.

Só que agora eles passaram dos limites!
É de uma irresponsabilidade tremenda gravar e divulgar essa coisa intitulada BOMBA NO CABARÉ. Uma inacreditável mistura de preconceito, incitação à violência e desvalorização da mulher.

Maior ainda a irresponsabilidade das rádios e dos comunicadores pernambucanos que tocam essa música. Basta lembrar que Pernambuco é o estado com maior índice de violência contra a mulher.

Fala-se em proibir a música, recolher cds. Até o governador Eduardo Campos se manifestou a respeito da gravação. Eu sou terminantemente contra qualquer tipo de censura. Há outros caminhos para educar essa gente. Por que não um bom processo judicial contra o compositor e a gravadora?

Para você que não conhece a letra:

BOMBA NO CABARÉ
Mastruz com Leite


Jogaram uma bomba, no cabaré...
Voou pra todo canto pedaço de mulher ( + 1x)

Foi tanto caco de puta voando pra todo lado
Dava pra apanhar de pá, de enxada e de colher!

No meio da rua tava os braços de Teresa,
No meio-fio tava as perna de Raché,
Em cima das telha os cabelo de Maria,
No terraço de uma casa tava os peito de Isabé!

Aí eu juntei tudo e colei bem direitinho
fiz uma rapariga mista, agora todo homem quer!

Pode jogar uma bomba lá no cabaré,
Que eu junto os cacos das puta
Pra fazer outra mulher!( + 3x)

sexta-feira, 20 de abril de 2007

POVOS INDÍGENAS DE PERNAMBUCO

Imagem: UFPE


" Existem Índios em Pernambuco?
A resposta negativa a essa pergunta é ouvida da imensa maioria da população, na Escola e até mesmo na Universidade.

O desconhecimento da realidade indígena, em Pernambuco, está associado basicamente à imagem do índio que é tradicionalmente veiculada pela mídia: um índio genérico com um biótipo formado por características correspondentes aos indígenas de povos habitantes na Região Amazônica e no Xingu, com cabelos lisos, pinturas corporais e abundantes adereços de penas, nus, moradores das florestas, de culturas exóticas etc.. "
[ Leia texto completo de Edson Silva aqui ]

ATIKUM
População total: 5.025
Localização: Belém de São Francisco, Carnaubeira da Penha, Mirandiba, Salgueiro
Extensão da terra demarcada: 16.290 ha
Posto indígena: PI Atikum
Situação jurídica: Homologada
FULNI-Ô
População total: 3.578
Localização: Águas Belas e Itaíba
Extensão da terra demarcada: 57.739 ha
Posto indígena: PI Fulni-ô
Situação jurídica: Em Identificação
KAMBIWÁ
População total: 1.578
Localização: Floresta, Ibimirim, Inajá
Extensão da terra demarcada: 31.495 ha
Posto indígena: PI Kambiwá
Situação jurídica: Homologada
KAPINAWÁ
População total: 2.686
Localização: Buíque
Extensão da terra demarcada: 12.403 ha
Posto indígena: PI Kapinawá
Situação jurídica: Homologada
PANKAIUKÁ
População total:
Localização: Inajá
Extensão da terra demarcada:
Posto indígena:
Situação jurídica: Em estudo
PANKARÁ
População total: 1.025
Localização: Carnaubeira da Penha e Floresta
Extensão da terra demarcada:
Posto indígena:
Situação jurídica: Não estudada
PANKARARU
População total: 5.880
Localização: Jatobá, Petrolândia e Tacaratu
Extensão da terra demarcada: 8.100ha
Posto indígena: PI Pankararu
Situação jurídica: Homologada
PIPIPÃ
População total:
Localização: Floresta
Extensão da terra demarcada:
Posto indígena:
Situação jurídica: Não estudada
TRUKÁ
População total: 1.333
Localização: Cabrobó
Extensão da terra demarcada: 9.688 ha
Posto indígena: PI Truká
Situação jurídica: Delimitada
TUXÁ
População total: 1.630
Localização: Inajá
Extensão da terra demarcada: 164 ha
Posto indígena: Não existe
Situação jurídica: Adquirida pela CHESF
XUKURU
População total: 6.363
Localização: Pesqueira
Extensão da terra demarcada: 27.555 ha
Posto indígena: PI Xukuru
Situação jurídica: Homologada

Fonte: dados preliminares do Projeto Território e Memória Indígena no Nordeste Brasileiro, desenvolvido na Fundaj em parceria com o Museu Nacional/ UFRJ Coordenação de Estudos Indígenas (Dipes/Fundaj)

MAIS INFORMAÇÕES SOBRE OS POVOS INDÍGENAS DE PERNAMBUCO:
ESPECIAL DO JORNAL DO COMMÉRCIO/ FUNDAJ - A RETOMADA INDÍGENA
INFORMAÇÕES DO SITE PERNAMBUCO DE A-Z

21 de abril- UMA HISTÓRIA DE TRAIÇÃO e A TRAIÇÃO DA HISTÓRIA


Sempre me perguntei, desde as primeiras lições de História do Brasil na sala de aula, por que Tiradentes foi o escolhido, dentre tantos que tivemos, como mártir da luta pela independência do Brasil? Por que 21 de abril é feriado nacional e não outras datas mais significativas?

Não é de hoje que nossa gente tem memória curta e pouca consideração por sua História; não é de hoje que a elite nacional manipula esses ingredientes de acordo com suas conveniências.

Por isso acabei de ler com grande satisfação o livro A IDEIA REPUBLICANA NO BRASIL, co-edição do Ministério da Educação e da Fundação Joaquim Nabuco, de 1990, reunindo uma série de pronunciamentos e artigos do Major pernambucano José Domingues Codeceira a propósito da exaltação da Inconfidência Mineira como símbolo da luta republicana, em detrimento da história e do pioneirismo dos pernambucanos.

Na apresentação do livro, o jornalista Leonardo Dantas já esclarece a injustiça:

Proclamada a República, eis que os guardiões das tradições libertárias de Pernambuco esperaram um melhor tratamento dos responsáveis pela preservação da memória histórica da Pátria Brasileira. Por cultuar um ideário nativista desde os tempos da guerra contra a Holanda (1630-1654), quando, sozinhos, lutaram contra as bem municiadas e adestradas tropas da Companhia das Índias Ocidentais e por sua participação nos movimentos libertários de 1710, 1817, 1824 e 1848, os nascidos em Pernambuco se julgam diferenciados dos habitantes das demais províncias. O seu território mutilado, a memória de sua gente e o sangue dos seus mártires estavam a reclamar um melhor tratamento pelos, então, dirigentes da República Federativa que se desejava implantar.
(***)
Os titulares da nova ordem, preocupados com a estabilização do regime, fizeram-se de surdos aos clamores, preferiram ignorar as razões do Direito para não tomar conhecimento dos clamores dos pernambucanos .Nos mapas que o mutilaram, para fixar a imagem do poeta João Cabral, Pernambuco foi condenado a permanecer horizontal pagando pelo crime de ter sido republicano bem antes das demais províncias.
Os brios dos pernambucanos, porém, não puderam suportar quando o Governo Provisório da República resolveu, em 1890, através de um decreto, considerar como data nacional o 21 de abril consagrado à comemoração dos precursores da independência brasileira resumidos em Tiradentes.(***)


Daí vieram os pronunciamentos e artigos de Codeceira, como o seguinte, publicado à época no Diário de Pernambuco:

(***) tive ocasião de erguer um brado de solene protesto (***) quando o governo provisório da República considerava, por um decreto, dia de festa nacional o 21 de abril, consagrado à comemoração dos precursores da independência brasileira resumidos em Tiradentes.
Tendo assim procedido não posso deixar que passe em silêncio o vosso anúncio, convidando o povo pernambucano e o governo do Estado a vos acompanhar na festa cívica que pretendeis fazer em homenagem à memória do centenário de Tiradentes, por ter sido o primeiro sangue popular que irrigou a árvore da liberdade no solo brasileiro!.

(***) Não! Mil vezes não! Esta glória pertence somente ao pernambucano Bernardo Vieira de Mello, e àqueles que o acompanharam na jornada do ato solene manifestado no glorioso dia 10 de novembro de 1710, no Senado da cidade de Olinda. (***) primeiro movimento armado para a independência nacional e forma do governo republicano (***) Este ato cívico e de arrojado patriotismo deu lugar a um terrível massacre na família pernambucana, subindo a 722 o número de suas vítimas que com seu generoso sangue saturaram o solo da pátria, regando com ele a soberba árvore da liberdade, por eles plantada pela primeira vez no solo americano.(***)

Se Tiradentes foi um mártir da liberdade, não foi por certo o primeiro a irrigar a árvore da liberdade com o generoso sangue popular como dizeis no vosso anúncio. Esta glória cabe somente aos pernambucanos nossos avós.
Deixai que Minas e a Capital Federal, mesmo que todo o Sul enfim, não tendo outro mártir que derramasse o seu sangue, por amor à liberdade, festejem o centenário deste único, o Tiradentes; porque eles não se ocupam em festejar os nossos; e nem mesmo os conhecem.

O pobre Tiradentes a não ser o gênero da morte que lhe deram, não teria sido um mártir, apenas passaria, na história, por uma vítima inocente da sua imprudência e loquacidade; visto que a Inconfidência Mineira nunca passou de uma conjuração de poetas (***)
Tiradentes morreu como um bom católico e não como o herói padre Roma, apontando o coração àqueles que tinham de o fuzilar: Aqui é o centro da vida (***) recusara nobremente a proteção que lhe queria dar o Conde dos Arcos, insinuando-o a que negasse a sua firma; lhe respondia reconhecendo e confirmando a assinatura do seu nome como secretário da junta governativa!

Senhores da União Cívica, é preciso não esquecer os nomes dos pernambucanos, que pelo seu civismo se tornaram beneméritos da pátria, bem como dos nossos irmãos do norte, que sempre nos acompanharam no esforço e no martírio pela liberdade nas revoluções de 1710, 1817 e 1824.

Pertenceis à União Cívica e deixastes passar despercebido não só o dia 10 de novembro, como o glorioso 6 de março, um dos maiores dias para Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará! (***)

Apenas comemorastes o 13 de janeiro, aniversário da morte do herói Caneca, com uma festa pálida. Se a este herói fosse permitido ressuscitar, cobriria hoje a cara de vergonha e daria as costas a filhos tão degenerados. (***)
Como se tem degenerado a raça pernambucana! É força confessá-lo.
Não é, portanto, de estranhar que a União Cívica também procure hoje esquecer o martírio que sofreram seus antepassados, antes da Inconfidência Mineira, para dar essa glória a Tiradentes!

(***) lembrai-vos que nesta cidade acabou nas mãos do algoz, em 1817, o benemérito patriota Domingos Teotônio, com firmeza e heroísmo (***) assim também acabaram Barros Lima, padre Teotônio, Antônio Henrique, Amaro Gomes, Inácio Leopoldo, padre Antônio Pereira, José Peregrino e Francisco Silveira; pernambucanos e paraibanos.
A todos estes foram cortadas as cabeças e mãos, e os troncos amarrados à cauda de cavalos e arrastados pelas ruas da cidade (***).
Em 1824 foram aqui fuzilados Frei Caneca, Lázaro Macário, Agostinho, Monte, Nicolau, Redgers e Fragoso; no Rio de Janeiro, Loureiro, Mitovik e Ratcliff; e no Ceará o padre Gonçalo Mororó, Cel. Pessoa Anta, Azevedo Bolão, Silca Carapinima, Ibiapina e Feliciano; muitos outros que se achavam ausentes foram condenados à morte, banidos, concedendo-se direito a qualquer pessoa do povo de os poder matar livremente.

De todos esses mártires vos tendes esquecido (***)


José Domingues Codeceira
Recife, Diário de Pernambuco de 20 de março de 1892


[Do arquivo do blog anterior]

quarta-feira, 18 de abril de 2007

O HOMEM CEDE AO DESEJO COMO A NUVEM CEDE AO VENTO


ANDAVA A LUA NOS CÉUS
António Botto


Andava a lua nos céus
Com o seu bando de estrelas
Na minha alcova
Ardiam velas
Em candelabros de bronze
Pelo chão em desalinho
Os veludos pareciam
Ondas de sangue e ondas de vinho
Ele, olhava-me cismando;

E eu,
Plácidamente, fumava,
Vendo a lua branca e nua
Que pelos céus caminhava.

Aproximou-se; e em delírio
Procurou avidamente
E avidamente beijou
A minha boca de cravo
Que a beijar se recusou.

Arrastou-me para ele,
E encostado ao meu hombro
Falou-me de um pagem loiro
Que morrera de saudade
À beira-mar, a cantar...

Olhei o céu!
Agora, a lua, fugia,
Entre nuvens que tornavam
A linda noite sombria.

Deram-se as bocas num beijo,
Um beijo nervoso e lento...
O homem cede ao desejo
Como a nuvem cede ao vento
Vinha longe a madrugada.

Por fim,
Largando esse corpo
Que adormecera cansado
E que eu beijara, loucamente,
Sem sentir,
Bebia vinho, perdidamente
Bebia vinha..., até cair.

Aves de Um Parque Real
As Canções de António Botto
Editorial Presença - 1999

terça-feira, 17 de abril de 2007


Amanhã, dia 18 (quarta-feira) a comunidade espírita mundial comemora os 150 anos de lançamento de O Livro dos Espíritos.

Este marco literário, assinado pelo educador francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, sob o pseudônimo Allan Kardec , representou a pedra fundamental do Espiritismo, que através da obra propagou a doutrina dos espíritos e se consolidou pelo mundo afora. O Livro dos Espíritos sobressai-se ainda como um dos best-sellers da literatura espiritualista.


Para comemorar o sesquicentenário, a SEMIL - Sociedade Espírita Missionários da Luz - de Tuparetama-PE elaborou uma programação que acontecerá dia 18, nas escolas da cidade com palestra sobre o tema O QUE É ESPIRITISMO, encenação livre e realização de enquetes sobre o assunto.


Um website - Espiritismo 150 anos - foi criado pela FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA especialmente para a divulgação dos eventos em homenagem ao sesquicentenário. Nesse espaço, o internauta encontrará histórias ilustrativas sobre o Espiritismo, o surgimento do Espiritismo no Brasil e no Mundo, a história da Federação Espírita Brasileira, artigos de cunho doutrinário e informações sobre o crescente mercado editorial espírita.


O QUE SEU RAIMUNDO ESTÁ OUVINDO E VIU E RECOMENDA

Rita Ribeiro- Tecnomacumba
Norah Jones - Not too late
Alcimar Monteiro- O verdadeiro Forró

segunda-feira, 16 de abril de 2007

CHOVE?


Contagem regressiva para a seca no Pajeú.
Até agora as chuvas na região têm sido poucas e muito irregulares. Desde o início de abril que não chove. Quem plantou está assistindo à morte dos roçados sem água. Se até o final do mês não chover teremos praticamente a perda de 90% da produção local de alimentos, quase toda ela de subsistência.

Nosso grande problema não é a falta de chuvas, é a falta de políticas públicas voltadas para a educação do campo, o desenvolvimento sustentável, a implementação de tecnologias alternativas para a convivência com o semiárido.

LEITE DE LETRAS, LEITE DE PEDRAS

Ler pelo Não
Paulo Leminski

Ler pelo não, quem dera!
Em cada ausência, sentir o cheiro forte
do corpo que se foi,
a coisa que se espera.
Ler pelo não, além da letra,
ver, em cada rima vera, a prima pedra,
onde a forma perdida
procura seus etcéteras.
Desler, tresler, contraler,
enlear-se nos ritmos da matéria,
no fora, ver o dentro e, no dentro, o fora,
navegar em direção às Índias
e descobrir a América.

Do livro "Distraídos venceremos", Editora Brasiliense, 1991.

terça-feira, 10 de abril de 2007

DIZ, POETA!


segunda-feira, 9 de abril de 2007

MAIS PONTOS DE CULTURA RURAIS

Ilustração: obra de Tárcio Oliveira

Os ministérios da Cultura (MinC) e do Desenvolvimento Agrário (MDA) pretendem lançar um edital conjunto, ainda no primeiro semestre deste ano, para fomento de mais 30 Pontos de Cultura nos Territórios Rurais.

A medida tem como objetivo ampliar o acesso da população do campo à Cultura e vem ao encontro das reivindicações feitas ao ministério, por jovens representantes do setor, reunidos em Brasília esta semana (de 26 a 29 de março), durante o 1º Festival Nacional da Juventude Rural.

Ainda dentro da estratégia de levar a arte ao campo e de fortalecer as expressões culturais da população, o representante da SID/MinC comunicou a decisão do ministério de destinar aos cineclubes dos Pontos de Cultura Rurais, por meio da Programadora Brasil – projeto de difusão do cinema brasileiro que promove a exibição de filmes em circuitos não-comerciais –, um catálogo com 126 filmes nacionais.

Os Pontos de Cultura possuem computadores, com acesso à Internet banda larga, estúdio de gravação de áudio e câmeras digitais, que possibilitam a produção de trabalhos audiovisuais. Atualmente, existem mais de 500 Pontos de Cultura em todo o país, 18 deles nas áreas de assentamentos rurais.


domingo, 8 de abril de 2007

EU SOU DAQUELE TEMPO QUANDO PÁSCOA ERA SOMENTE A FESTA DA RESSURREIÇÃO DE JESUS...


LEITURAS


Li na coluna Pinga-Fogo de Inaldo SampaioJornal do Commercio – que acaba de chegar às livrarias mais um livro sobre Lampião. Desta vez é o trabalho da escritora francesa Élise Gruspan-Jasmin, Lampião – Senhor do Sertão, pela EDUSP.

Para escrevê-lo ela leu tudo que já se publicou sobre Virgolino Ferreira. Segundo Inaldo, “A pesquisa é tão bem feita que nem a imprensa matuta ficou de fora. Ela pesquisou no Arquivo Público de Pernambuco os jornais Correio do Sertão (Tacaratu) Folha do Sertão (Triunfo) O Farol (Petrolina) as Gazetas de Belo Jardim e de Pesqueira, além de outros."

Séria, a pesquisadora trata de desmistificar a imagem de revolucionário ou reformador social atribuída a Lampião. O que era o Rei do Cangaço?
Um justiceiro violento.

AUMENTA QUE ISSO AÍ É FORRÓ

Foto: Trio Virgulino

Mais uma de Petrucio Amorim:


Sabe quem eu sou?
Sabe quem sou eu?
Eu sou o forró!
Comigo não tem mizura
Não há jogo de cintura
Que eu não dê um nó.

Sabe quem sou eu ?
Sabe como eu vou?
Eu vou muito bem.
No balanço do meu povo
Olha eu aqui de novo
Nesse vai e vem.

Você me esquece num cantinho
Você despreza meu carinho
Mas sou dengoso sou teimoso
E de repente volto pra você.

Sou seu amigo da folia
A sua dança da alegria
Sou maltratado machucado
Mas não te deixo um minuto só.

Aonde tem um sanfoneiro
Zabumbeiro, triangueiro
Sou ouvido sou querido.
Sou o rei da brincadeira
Bote fé nessa bandeira,
Não me deixe não esqueça:
Eu sou o forró!

DOS GRANDES MESTRES PERNAMBUCANOS - Tereza Costa Rego


sexta-feira, 6 de abril de 2007

"MULHERES NÃO CHOREM POR MIM, CHOREM POR VOCÊS E POR SEUS FILHOS"

Imagem- ilustração de Ademir Martins para o livro Vidas Secas de Graciliano Ramos

quarta-feira, 4 de abril de 2007

PAIXÃO DE CRISTO EM NOVA JERUSALÉM

Você pode ir para ver as estrelas globais e suspirar tal qual bom tiete de TV;
Você pode ir para tirar proveito político tal qual os políticos de plantão que foram e, como sempre, não viram nada além dos seus próprios umbigos;
Você pode ir para depois dizer tolices como pinta de filosofia(barata) e teologia(de sacristia) tal qual o presidente da Nação;
Você pode ir para ver simplesmente um espetáculo bem feito e emocionante, que impressiona pela persistência (40 anos!) em pleno agreste pernambucano - porque se você não é das panelinhas da região metropolitana tem que tirar leite de pedra para fazer qualquer arte - .

DIZ, POETA!

Briga na Procissão
Chico Pedrosa


Quando Palmeira das Antas
Pertencia ao Capitão
Bento Justino da Cruz
Nunca faltou diversão:
Vaquejada, cantoria,
Procissão e romaria,
Sexta-feira da paixão.

Na quinta-feira maior,
Dona Maria das Dores
No salão paroquial
Reunia os moradores
E ao lado do Capitão
Fazia a seleção
De atrizes e atores

O papel de cada um
O Capitão que escolhia
A roupa e a maquilagem
Eram com Dona Maria
O resto era discutido,
Aprovado e resolvido
Na sala da sacristia.

Todo ano era um Jesus,
Um Caifaz e um Pilatos
Só não faltavam a cruz,
O verdugo e os maus-tratos
O Cristo daquele ano
Foi o Quincas Beija-Flor
Caifaz foi Cipriano,
Pilatos foi Nicanor.

Duas cordas paralelas
Separavam a multidão
Pra que pudesse entre elas
Caminhar a procissão
Cristo conduzindo a cruz
Foi não foi advertia
Pro centurião perverso
Que com força lhe batia.

Era pra bater maneiro
Mas ele não entendia
Devido a um grande pifão
Que bebeu naquele dia
Do vinho que o capelão
Guardava na sacristia.

Cristo dizia: ôh, rapaz,
vê se bate devagar!
Já estou todo encalombado,
assim não vou aguentar,
tá com a gota pra doer,
ou tu pára de bater
ou a gente vai brigar!

O pior é que o malvado
Fingia que não ouvia
E além de bater com força
Ainda se divertia,
Espiava pra Jesus
Fazia pouco e dizia:
Que Cristo frouxo é você,
que chora na procissão?
Jesus pelo que eu saiba
não era mole assim não.

Eu tô batendo com pena,
tu vai ver o que é bom
na subida da ladeira
da venda de Fenelon.
O couro vai ser dobrado
daqui até o mercado
a cuíca muda o som!

Naquele momento ouviu-se
Um grito na multidão
Era Quincas que com raiva
Sacudia a cruz no chão
E partia feito um maluco
Pra cima de Bastião
Se travaram no tabefe,
Ponta-pé e cabeçada.

Madalena levou queda,
Pilatos levou pancada
Deram um bofete em Caifaz
Que até hoje não faz
Nem sente gosto de nada.
Desmancharam a procissão,
O cacete foi pesado.

São Tomé levou um tranco
Que ficou desacordado
Deram um cocorote
Na careca de Timóti
Que até hoje é aluado.
Até mesmo São José,
Que não é de confusão
Na ânsia de defender
O filho de criação
Aproveitou a garapa
Pra dar um monte de tapa
Na cara do bom ladrão.

A briga só terminou
Quando o Doutor Delegado,
Interviu e separou:
Cada Santo pro seu lado!
E desde que o mundo se fez,
Foi essa a primeira vez
Que Cristo foi pro xadrez,
Mas não foi crucificado.

REFLETIR

Do blog da SEMIL, casa espírita que freqüento.
foto de Pietr Kowalik
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