quarta-feira, 28 de março de 2007

CONTRA TRISTEZA, TOME CORDEL

Grande Debate de Lampião com São Pedro
José Pacheco

Para me certificar
Da morte de Lampião
Arrumei o matulão
E andei p’ra me acabar
Não escapou-me um lugar
Do Brasil ao Estrangeiro
Percorri o mundo inteiro
Procurando a realeza
Até que tive a certeza
Da morte do Cangaceiro.

Andei nas areias gordas
Pilão sem boca e macumba
As ribeiras de cazumba
Estas eu remechi todas
Passei nas várzea das poudras
Fui à baixa da folia
Levei uma companhia
Deixei no bico da pata
Passei nas brechas da gata
Dormi na boca da gia.

Fui à Serra do Cambão
Desci na jumenta prenha
Mandei Chico Tomás Lenha
No Engenho de Felipão
Pindoba de Damião
Fica perto da Furada
Lá deixei um camarada
Caminhei mais légua
Dormi na baixa da égua
Perto da Tábua Lascada

Depois eu fui à Quinzanga
O Engenho de Seu Melo
Subi para o Birimbelo
Cheguei na Chã da Munganga
Treis cassetes de Zé Panga
Já fica do outro lado
Fui ao Cambito Quebrado
Do Rodete de Pinheiro
Deixei o meu companheiro
Na bargada dum sevado

Passei na Chã da Risada
Desci na Fazenda Mole
Fui à Usina do Fole
De Bertolina Pelada
Segui pela mesma estrada
Do alto da geringonça
Do tapado do Mendonça
Puxei para virador
E mandei um portador
Dormir na Boca da Onça

E atravessei os mares
Montado em um planeta
Que ao som de uma trombeta
Vinha descendo dos ares
Visitando aqueles lares
Terra de santos e fadas
Naquela mesma jornada
Encostei no arrebol
Cheguei na Terra do Sol
Na Casa da Madrugada

Ela me deu um abraço
E prestou-me bem atenção
Mandou chamar o verão
No reino do mestre Espaço
Depois chegou o mormaço
E saiu muito vexado
Porque estava ocupado
No palácio da manhã
Tratando da sua irmã
Mulher do vento gelado

Continuei a viagem
Com boa capa de luva
Porque a terra é de chuva
E mora Dona Friagem
Seu palácio era na margem
Do rio Major Relento
Descansei no aposento
Da velha seca puxada
Nesta noite a trovoada
Deu uma surra no vento

No reino da Branca Aurora
encontrei a brisa mansa
que vinha trazer lembrança
À princesa Deusa Flora
A neve aquela hora
Em sua alcova dormia
Depois o sol lhe surgia
Desfazer-lhe do regaço
Enquanto pelo espaço
A neve branca corria

P’ra saber de Lampião
Qual foi a parada sua
Subi à terra de lua
Escanchado num trovão
Encontrei um ancião
Velho, barbado e corcundo
Que vinha do fim do mundo
Me viu e foi me contando
Que viu São Pedro açoitando
Um epírito vagabundo

Chegou no céu, Lampião
A porta estava fechada
Ele subiu a calçada
Ali bateu com a mão
Ninguém lhe deu atenção
Ele tornou a bater
Ouviu São Pedro dizer
Demore-se lá. Quem é?
Estou tomando café
Depois vou receber

São Pedro depois da janta
Gritou por Santa Zulmira:
-Traz o cigarro caipira
Acendeu no de São Pranta
Apertou o nó da manta
Vestiu a casaca e veio
Abriu a porta do meio
Falando até agastado:
-Triste do homem empregado
Que só lhe chega aperreio

Abriu na frente o portão
Ficou na trave escorado
Branco da cor de um finado
Quando avistou Lampião
Mas com a trave na mão
Não temeu de lhe falar
E disse: -Aqui não se dar
Aposento a gente mal
Senão que entrar no pau
Acho bom se retirar

Lampião lhe respondeu :
Não venha com seu insulto
Você é um santo bruto
Que ofensa lhe fiz eu?
E mesmo o céu não é seu
Você também é mandado
Portanto esteja avisado
Se não deixar eu entrar
Nós vamos experimentar
Quem é que tem bom guardado

Você não entre atrevido
São Pedro lhe disse assim :
Ingresso a quem é ruim
Nesta porta é proibido
Não sabes que sois bandido
Roubador da vida humana
Alma ferina e tirana
Coração cruel perverso!
Como queres um ingresso
Nesta mansão soberana

-É certo fui bandido
Perverso, estrompa, voraz
Porém, quem foi não é mais
É mesmo que não ter sido
Mesmo eu sou garantido
Por um provérbio que tenho
Escrito sobre um desenho
Por pessoas elevadas
À qual diz: - Águas passadas
Não dão voltas a meu engenho

— Não quero articulação
Você aqui nada tem
— É como você também
Lhe respondeu Lampião
É porque do seu patrão
Você transmite um mandado
Eu tenho visto empregado
Sair do trabalho expulso
Sem direção, sem ricurso
Por qualquer trabalho errado

Ali falou São Bernardo
Que também vinha chegando
— Pedro você está brincando
Com este cabra safado?
Vá me chamar São Ricardo
E São Francisco da Penha
Diga a São Tomé que venha
E chame São Juvenal
Traga um pau do quintal
E uma lasca de lenha

São Pedro ergueu-se nos pés
E disse de cara feia:
— Pra dar num cabra de peia
Não precisa oito nem dez
E gritou por São Moisés:
— Vamos dar no bandoleiro
Saltou no meio do terreiro
Até preparar a faca
Gritando : - Quebra uma estaca
Arranque um pau do chiqueiro

São Paulo estava no quinta
Mas ouvindo a discussão
Apertou o cinturão
E botou a faca na cinta
Encontrou Santa Jacinta
Que lá vinha no caminho
E disse a Santo Agostinho
Arretorcendo o bigode:
Arreda que tu não pode
Eu pego o cabra sozinho

Porém antes de pegar
Desceu um grande corisco
Jogado por São Francisco
Da porta do quarto andar
Num tremendo ribombar
Um trovão também desceu
O espaço escureceu
Veio um forte pé-de-vento
Lampião neste momento
Dali desapareceu

Poeta tem liberdade
Sagrado dom da Natura
Conforme a literatura
Escreve o que tem vontade
Também a propriedade
Precisa o dono ter
Pelo menos vou dizer
Se meu espírito não mente
Poeta também é gente
Também precisa comer.
imagem: gettyimages
Campo Minado
Mário Maranhão / Mário Marcos / Maxcilliano

Já andei por tantas terrasJá venci mil guerras
Já levei porradas, dominei meu medo
Já cavei trincheiras no meu coração.

Descobri nos pesadelos sonhos mutilados
E acordei no meio de anjos cansados
De serem usados pela solidão.

Ah! Meu coração é um campo minado
Muito cuidado, ele pode explodir!
E se depois de tão dilacerado
For desarmado por quem há de vir
Alguém que queira compensar a dor
Plantar o sonho e ver nascer a flor
Alguém que queira então me residir
E explodir meu coração de amor.

sábado, 24 de março de 2007

MEU SÃO JOSÉ, DAI-NOS LICENÇA....

Antes que o mês de São José acabe deixo aqui minhas devotadas homenagens ao santo querido dos sertanejos.
Como tem José no Pajeú!
Eu sou um , meus irmãos todos trazem o nome do santo no registro. É Zé também meu pai. E os meus tios, meu vizinho, alguns sobrinhos, quase metade do povo do lugar.
E viva São José!
Que ládonde está, bem pertinho de Nosso Senhor, convença-O mais uma vez a relevar os descuidos dessa gente contra a mãe natureza e mande água, mande chuva, o sertão precisa.

sexta-feira, 23 de março de 2007

"ONDE MANDO EU, PRIMEIRO OS MEUS" - NEPOTISMO NO PAJEÚ

Ilustração de Richard Cook

De tão comum e tão antiga entre nós, a prática do nepotismo ainda resistirá por longo tempo, até que a população se dê conta da necessidade de combatê-la. Serão necessários muitos anos de educação, exercício de cidadania, campanhas e implementação de uma lei moral que chamaremos aqui de "vergonha na cara".

Somente por causa da grande pressão exercida pelo Ministério Público alguns gestores dos municípios do Pajeú estão enviando projetos sobre o assunto para as câmaras e afastando seus parentes dos cargos de confianças.

Mas a exemplo do que escrevi um parágrafo acima, a prática ainda reina no Pajeú. E temos nossos destaques, citados até no blog de Magno Martins. Sãos os prefeitos de Flores, Marconi Santana, de Ingazeira, José Veras e de São José do Egito, Evandro Valadares. Para se ter uma idéia, Marconi, o líder, deu emprego a 21 parentes.

Ilustração do site Cabinda

MATANÇA

Composição:Jatobá

Cipó caboclo tá subindo na virola
Chegou a hora do pinheiro balançar
Sentir o cheiro do mato da imburana
Descansar morrer de sono na sombra da barriguda
De nada vale tanto esforço do meu canto
Pra nosso espanto tanta mata haja vão matar
Tal mata Atlântica e a próxima Amazônica
Arvoredos seculares impossível replantar

Que triste sina teve cedro nosso primo
Desde de menino que eu nem gosto de falar
Depois de tanto sofrimento seu destino
Virou tamborete mesa cadeira balcão de bar
Quem por acaso ouviu falar da sucupira
Parece até mentira que o jacarandá
Antes de virar poltrona porta armário
Mora no dicionário vida eterna milenar

Quem hoje é vivo corre perigo
E os inimigos do verde da sombra, o ar
Que se respira e a clorofila
Das matas virgens destruídas vão lembrar
Que quando chegar a hora
É certo que não demora
Não chame Nossa Senhora
Só quem pode nos salvar é

Caviúna, cerejeira, baraúna
Imbuia, pau-d'arco, solva
Juazeiro e jatobá
Gonçalo-alves, paraíba, itaúba
Louro, ipê, paracaúba
Peroba, massaranduba
Carvalho, mogno, canela, imbuzeiro
Catuaba, janaúba, aroeira, araribá
Pau-fero, anjico amargoso, gameleira
Andiroba, copaíba, pau-brasil, jequitibá.

quinta-feira, 22 de março de 2007

Deliberações da 1º Conferência Estadual de Cultura de Pernambuco


Ilustração: Obra de Edierk, artista de Carnaíba

Eixo 1- Gestão Pública da Cultura :
Obrigatoriedade da vinculação de repasse no orçamento do poder público para cultura; garantindo no mínimo 2% do orçamento estadual para cultura.
Eixo 2- Cultura é Direito e Cidadania:
Implantação de espaços culturais nos municípios, com estruturas para teatro, cinema, dança e manifestações culturais para realização de projetos de circulação e oficinas de arte, dança e musica assim como uma rede de estúdio comunitário por município que garanta a inclusão digital e a gravação de cd’s para os diversos grupos locais, cujas decisões serão tomadas paritariamente com os seus respectivos Conselhos Municipais de políticas Culturais.
Eixo 3– Economia da Cultura:
Garantir a vinculação de, no mínimo, 2% dos orçamentos públicos para a área da cultura, com apoio integral ao movimento nacional, pela aprovação da PEC 150/2003, com a devida alteração para garantir os 2% do orçamento nos 03 níveis: federal, estadual e municipal.
Eixo 04– Patrimônio Cultural:
O governo estadual deverá criar novos mecanismos e investimentos financeiros para promover, consolidar e incrementar manifestações culturais, favorecendo intercâmbio, valorizando e estimulando a história e o patrimônio material e imaterial do Estado, com o apoio do governo federal e municipal.
Eixo 05– Comunicação é Cultura:
Criar e qualificar espaços públicos municipais e estaduais (estrutura e serviços), transformando-os em centros culturais, com verba viabilizada pelos Fundos de Cultura.
Eixo 06–Formação e Capacitação Cultural:
Criar e manter Centros e Unidades Móveis Culturais articulados com os municípios objetivando:- estimular a formação nas diversas técnicas de expressões artísticas cultural, processos de gestão e produção (pública e privada),- garantir acesso público a instrumentos de pesquisas (bibliotecas, laboratórios de informática, fóruns, debates, etc.) e espaços para manifestações artísticas (exposições, exibição de audiovisuais, estúdio de gravação, expressões da cultura popular e dos ciclos culturais), de forma plural e participativa, na sua criação e gerenciamento.

Conheça (e cobre) todas as outras propostas aqui

BELEZA É PARA POUCOS


O amigo foi para participar das encenações da Paixão de Cristo na ilha. Telefonou para mim hoje à tarde:
- Acabei de chegar em Fernando de Noronha. Multiplique por mil as belezas que vimos nas fotos. É o lugar mais bonito que já visitei!
Completa:
- É o mais caro também!
E conclui exemplificando a indignação econômica:
- Imagine só, uma tapioca chega a custar 3 reais!!!

quarta-feira, 21 de março de 2007

A BÊNÇÃO, POETA - Ascenso Ferreira

Sozinho, de noite,
nas ruas deserta
do velho Recife
que atrás do arruado
moderno ficou...
criança de novo
eu sinto que sou:

- Que diabo tu vieste fazer aqui, Ascenso?

O rio soturno
tremendo de frio,
com os dentes batendo
nas pedras do cais,
tomado de susto
sem poder falar...
o rio tem coisas
para me contar:

- Corre, senão o Pai-do-Poço te pega, condenado!

Das casas fechadas
e mal-assombradas
com as caras tisnadas
que o incêndio queimou
pelas janelas esburacadas
eu sinto, tremendo,
que um olho de fogo
medonho me olhou:

- Olha que o Papa-Figo te agarra, desgraçado!

Dos brutos guindastes
de vultos enormes
ainda maiores
nessa escuridão...
os braços de ferro,
pesados e longos,
parece quererem
suster-me do chão!

- Ai! Eu tenho medo dos guindastes
por causa daquele bicão!

Sozinho, de noite,
nas ruas desertas
do velho Recife
que atrás do arruado
moderno ficou...
criança de novo
eu sinto que sou:

- Larga de ser vagabundo, Ascenso!


Ascenso Ferreira

A RESPEITO DA PRODUÇÃO DE BIOCOMBUSTÍVEIS - II

Manifesto
Tanques Cheios às custas de Barrigas Vazias.
A Expansão da Indústria da Cana na América Latina


Nós, representantes de entidades e movimentos sociais do Brasil, Bolívia, Costa Rica, Colômbia, Guatemala e República Dominicana, reunidos no seminário sobre a expansão da indústria da cana na América Latina da Via Campesina, constatamos que: o atual modelo de produção de bioenergia é sustentado nos mesmos elementos que sempre causaram a opressão de nossos povos: apropriação de território, de bens naturais, de força de trabalho.

Historicamente a indústria da cana serviu de instrumento para a manutenção do colonialismo em nossos países e a estruturação das classes dominantes que controlam até hoje grandes extensões de terras, o processo industrial e a comercialização. Este setor se baseia no latifúndio, na superexploração do trabalho (inclusive no trabalho escravo) e na apropriação de recursos públicos. O setor se estruturou no monocultivo intensivo e extensivo, provocando a concentração da terra, da renda e do lucro.

A indústria da cana foi uma das principais atividades agrícolas desenvolvida nas colônias. Permitiu que setores que controlavam a produção e a comercialização conseguissem acumular capital e com isso contribuir para a estruturação do capitalismo na Europa. Na América Latina, a criação e o controle do Estado, desde o século XIX, continuaram a serviço dos interesses coloniais. Atualmente, o controle do Estado por este setor é caracterizado pelo chamado
"capitalismo burocrático". A indústria da cana definiu a estruturação política dos Estados nacionais e das economias latino-americanas.

No Brasil, a partir dos anos 70, quando houve a chamada "crise" mundial do petróleo, a indústria da cana passa a produzir combustível, o que justificaria sua manutenção e expansão. O mesmo ocorre a partir de 2004, com o novo Pró-Álcool, que serve principalmente para beneficiar o agronegócio.

O governo brasileiro passa a estimular também a produção de biodiesel, principalmente para garantir a sobrevivência e a expansão de grandes extensões de monocultivo da soja. Para legitimar essa política e camuflar seus efeitos destruidores, o governo estimula a produção diversificada de biodiesel por pequenos produtores, com o objetivo de criar o "selo social". As monoculturas têm se expandido em áreas indígenas e em outros territórios de povos originários.

Em fevereiro de 2007, o governo estadunidense anuncia seu interesse em estabelecer uma parceria com o Brasil para a produção de biocombustíveis, caracterizada como principal "eixo simbólico" na relação entre os dois países. Essa é claramente uma face da estratégia geopolítica dos Estados Unidos para enfraquecer a influência de países como Venezuela e Bolívia na região. Também justifica a expansão de monocultivos da cana, soja e palma africana em todo o território latinoamericano.

Aproveitando-se da legítima preocupação da opinião pública internacional com o aquecimento global, grandes empresas agrícolas, de biotecnologia, petroleiras e automotivas percebem que os biocombustível representam uma fonte importante de acumulação de capital. A biomassa é apresentada falsamente como nova matriz energética, cujo princípio é a energia renovável. Sabemos que a biomassa não poderá realmente substituir os combustíveis fósseis e que tampouco é renovável.

Algumas características inerentes da indústria da cana são a destruição do meio ambiente e a superexploração do trabalho. Utiliza-se principalmente da mão-de-obra migrante. Portanto, estimula processos de migraão, tornando os trabalhadores mais vulneráveis e dificultando ainda mais sua organização. O duro trabalho no corte da cana tem causado a morte de centenas de trabalhadores.

As mulheres trabalhadoras no corte da cana são ainda mais exploradas, pois recebem salários mais baixos ou, em alguns países, omo na Costa Rica, não recebem seu salário diretamente. O pagamento é feito ao marido ou companheiro. É comum também a prática do trabalho infantil em toda a América Latina, assim como a exploração de jovens como principal mão-de-obra no estafante corte da cana.

Os trabalhadores não têm nenhum controle sobre a pesagem de sua produção e conseqüentemente de seu salário, pois são remunerados por quantidade de cana cortada e não por horas trabalhadas. Esta situação tem sérios efeitos para a saúde e causa até mesmo a morte
de muitos trabalhadores por fadiga, pelo trabalho excessivo que demanda o corte de até 20 toneladas de cana por dia.

A maioria das contratações é terceirizada por intermediários ou "gatos". Isso dificulta a possibilidade de reivindicação dos direitos trabalhistas, pois não existe um contrato formal de trabalho. A figura do empregador é escondida nesse processo, que nega a própria relação de trabalho.

O Estado brasileiro estimula a utilização de terras dos assentamentos de reforma agrária e de pequenos agricultores, que atualmente são responsáveis por 70% da produção de alimentos, para produzir biocombustíveis, comprometendo a soberania alimentar.

Portanto, assumimos o compromisso de:

Ampliar e fortalecer as lutas dos movimentos sociais na América Latina e no Caribe, por meio de uma articulação entre as organizações dos trabalhadores existentes e as entidades de apoio.

Denunciar e combater o modelo agrícola baseado no monocultivo concentrador de terra e renda, destruidor do meio ambiente, responsável pelo trabalho escravo e a super exploração da mão de
obra. A superação do atual modelo agrícola passa pela realização da Reforma Agrária ampla que elimine o latifúndio.

Fortalecer as organizações de trabalhadores rurais, assalariados e camponeses para construir um novo modelo alicerçado na agricultura camponesa e na agroecologia, com produção diversificada, priorizando o consumo interno. É preciso lutar por políticas de subsídios para a produção de alimentos. Nosso principal objetivo é garantir a soberania alimentar, pois a expansão da produção de biocombustíveis agrava a situação de fome no mundo. Não podemos manter os tanques cheios e as barrigas vazias.

São Paulo, 28 de fevereiro de 2007

Fonte: reporterbrasil.com.br

Contos curtíssimos, do blog de Aleksandra, essa moça que tem o dom e o fervor necessários para escrever bem.

terça-feira, 20 de março de 2007

DIA MUNDIAL DA ÁGUA



UNIVERSIDADE DA ÁGUA

AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS

Portal do Dia Mundial da Água (UNESCO)

Dia Mundial da Água no Semi-árido


DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DA ÁGUA


1. A água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos.

2. A água é a seiva do nosso planeta. Ela é a condição essencial de vida e de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceder como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano: o direito à vida, tal qual é estipulado no Art. 30 de Declaração Universal dos Direitos Humanos.


3. Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo a água deve ser manipulada com racionalidade, preocupação e parcimônia.


4. O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e dos seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente, para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos por onde os ciclos começam.


5. A água não é somente uma herança dos nossos predecessores, ela é sobretudo um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como uma obrigação moral do Homem para as gerações presentes e futuras.


6. A água não é uma doação gratuita da natureza, ela tem um valor econômico: é preciso saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.


7. A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e diascernimento, para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração de qualidade das reservas atualmente disponíveis.


8. A utilização da água implica o respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo o homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo Homem nem pelo Estado.


9. A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.


10. O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.

INCLUA AÍ NOS TEUS FAVORITOS: FORRÓ EM VINIL

Um blog indispensável para quem gosta de música sertaneja autêntica e também para quem busca raridades do forró nordestino.
Quase todo dia o pessoal está disponibilizando arquivos completos de LPs que a gente não encontra fácil não... por exemplo:

Tem o 78 rpm de Luiz Gonzaga com a homenagem ao velho sanfoneiro Januário, seu pai. (foto)

Tem o instrumental sebo nas canelas de João do Pife, colocado no blog hoje mesmo.

domingo, 18 de março de 2007

A RESPEITO DA PRODUÇÃO DE BIOCOMBUSTÍVEIS - 1

Ilustração de Ingrid Hanusová /revista carbusters
A utilização de parcela crescente das terras agriculturáveis do mundo para o plantio de matéria prima de biocombustíveis levanta questão sobre os problemas da fome e da falta d’água que atingem cerca de um bilhão de pessoas.
Texto de Verena Glass - Carta Maior
O etanol, combustível muito em voga depois da recente divulgação das perspectivas sombrias do aquecimento global, há tempos tem jogado um papel importante no cenário agrícola mundial, uma vez que se trata de energia produzida, basicamente, a partir da cana de açúcar, do milho e de madeira.
Para o mercado internacional, é fato que o etanol é muito mais uma alternativa aos altos preços do petróleo do que uma preocupação ambiental, o que alimenta todo tipo de especulações sobre o seu potencial de crescimento. Segundo o pesquisador Luis Cortez, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o mercado mundial produz atualmente algo como 40 bilhões de litros de etanol; para se substituir 10% da gasolina no mundo, será preciso aumentar este volume para cerca de 150 bilhões de litros.
No Brasil, responsável hoje pela produção de cerca de 16 bilhões de litros de álcool combustível, a cana ocupa uma área agrícola de cerca de 5,5 milhões de hectares. Num exercício de futurismo, Luiz Cortez avalia que, se se planejasse atingir no país a marca de 110 bilhões de litros anuais – meta proposta ano passado por Jeb Bush, irmão do presidente dos EUA, para todo o continente americano -, os canaviais teriam que ocupar 75 milhões de hectares, o que ultrapassaria os 55 milhões que perfazem toda a área usada hoje pela agricultura nacional. Portanto, para o mercado o grande desafio agora é detectar os potenciais campos de biocombustível para atender a crescente demanda.
Segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID, cujo presidente, Luis Alberto Moreno, lançou recentemente, junto com o ex-Ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, e o mesmo Jeb Bush, a Comissão Interamericana do Etanol), a União Européia estaria fora do jogo, já que teria que utilizar 70% de sua área agriculturável para atingir a meta de 10% de substituição dos fósseis por etanol. Já os EUA, que querem trocar 20% da gasolina por etanol até 2017, mesmo utilizando o potencial máximo de sua agricultura para a produção de milho(matéria prima usada no país), chegariam apenas aos 15%.
Já a América Latina, afirma o BID, apresenta as condições ideais de clima e espaço para a produção de matéria prima (cana e milho). “Com o Brasil na liderança da produção de etanol, uma densidade demográfica baixa, no geral com clima úmido, e o potencial de melhorar a eficiência da agricultura, a América Latina apresenta grandes vantagens no sentido de se tornar um grande produtor de biocombustível”, avalia o banco, apostando também em inovações tecnológicas que permitirão produzir com maior eficiência etanol de madeira e celulose.
As vantagens para os países latinos, diz o BID, são geração de postos de trabalho nos diferentes estágios de produção do combustível, e fortalecimento das economias nacionais. O banco reconhece, no entanto, que haverá impactos negativos, como “concentração de terra, redução de empregos [no campo] por conta da mecanização, e aumento dos preços dos insumos agrícolas”. Por outro lado, “o agronegócio terá seu lucro assegurado”, bem como os grandes monocultivos e distribuidores de combustível.
Por fim, África e Ásia fecham, ainda com menor peso, as apostas para o mercado de etanol. Pioneira na África do Sul, a empresa Ethanol África, uma holding composta de várias multinacionais, traça um esboço do que espera da região. “Os africanos têm o potencial de se tornar os Árabes da indústria de biocombustíveis. Temos um potencial para utilizar vastas áreas deste continente massivo para produção destes combustíveis, só precisamos de água e fornecimento de energia”, diz Johan Hoffman, diretor executivo da empresa, que já programou a construção de oito usinas na África do Sul.
Em um mundo onde, de acordo com as Nações Unidas, 1 bilhão de pessoas sofre de fome crônica e má nutrição, e 24 mil morrem diariamente de causas relacionadas a esses problemas – entre estes, 18 mil são crianças -, faz-se necessário questionar se as terras do planeta se destinarão preferencialmente a atender aos cerca de 800 milhões de proprietários de automóveis, ou à garantia da segurança alimentar mundial. E mais, se o Sul continuará a desempenhar o papel de fornecedor da matéria prima necessária para possibilitar ao Norte manter seu padrão de consumo.
O caso mais conhecido de impactos da demanda por etanol sobre a segurança alimentar vem ocorrendo no México, atualmente grande fornecedor de milho para fabricação de biocombustível para os EUA. Nos últimos anos, a exportação do grão levou a um aumento exponencial (em algumas regiões chegou a 100%) do preço da tortilla de milho, base da alimentação de mais de 50% da população mexicana. Em proporção parecida, também houve aumento da ração animal (gado, aves, suínos e outros) e das sementes para plantio.
O questionamento a se fazer então, segundo o jornalista econômico americano Ronald Cook, é: “se os preços do milho vem crescendo até 55% ao ano, isso não aumentará o preço da carne, do frango, do peixe, do leite e dos ovos? Ou do cornflakes, do óleo de milho, e demilhares de outros alimentos que usam o grão como base? [Nos EUA], desde 2000 o preço da carne subiu 31%, do ovo 50%, do adoçante de milho, 33% e do cornflakes, 10%”.
“Distúrbios” na produção, oferta e preços de alimentos são um fenômeno comum onde os investimentos em biocombustíveis têm aumentado. Kelly Naforte, membro da coordenação do MST em Ribeirão Preto (SP), o maior pólo canavieiro do país, constata que, há muito,a maior parte dos alimentos consumidos no município vem de fora. Nos últimos anos, até frutas e legumes não são mais produção própria, afirma. “Ainda temos alguns pequenos agricultores [produtores de alimentos] na região, mas a cana e o eucalipto estão fechando o cerco sobre eles também”, comenta Kelly.
A observação do diretor executivo da Ethanol África, Johan Hoffman, de que “só precisamos de água e fornecimento de energia” para transformar o continente africano em um gigante bioenergético, contém um elemento interessante: a produção de matéria prima para o etanol, e a fabricação do próprio combustível, é dependente de uma grande oferta de água.
Segundo o consultor ambiental e editor da revista inglesa New Scientist, Fred Pearce, “a cana é uma das culturas mais sedentas do planeta. Na maior parte do mundo, utiliza-se caros sistemas de irrigação que têm atingido grandes rios e lençóis freáticos. A medida de consumo da cana é de 600 toneladas de água para uma tonelada de produto”. Atualmente, adenda, 1 bilhão de pessoas não tem acesso à água potável.
Segundo o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, José Maria Ferraz, os gastos de água embutidos tanto na produção de cana quanto na do próprio etanol – na produção de um litro de álcool gasta-se 13 litros de água, e ainda sobram 12 litros de vinhoto, sub-produto extremamente poluente normalmente utilizado na adubação dos canaviais – não é considerada no preço de venda, o que, do ponto de vista econômico, é uma grande desvantagem para o produtor, uma vez que a água está se tornando um bem altamente valorizado.
Em que medida os governos e o mercado têm direito de transformar a agricultura de produtora de alimentos em produtora de combustível é um debate ético urgente. Ou, mais que ética, quando esta em jogo a sobrevivência mais básica da população mundial e seu direito fundamental à comida e à água, a questão se torna política. Perante as ameaças do aquecimento global, potencializado por um doentio e insustentável padrão de consumo principalmente dos países ricos, não se pode deixar de acessar todo e qualquer instrumento que se contraponha à catástrofe ambiental. Mas há que se pesar quais são realmente as mudanças mais necessárias: se o hábito de comer e beber dos mais pobres, ou a insanidade consumista dos mais ricos.

Com informações do boletim Inovação Unicamp

DOS GRANDES MESTRES PERNAMBUCANOS

Hall do Edifício Residencial Valfrido Antunes- Recife-PE - 1962 (detalhe)

Escravatura (detalhe) - Painel na Rua Joaquim Nabuco- Recife-PE

sábado, 17 de março de 2007

PORQUE É TEMPO DE UMBU NOS TERREIROS DO SERTÃO

Ah, os frutos da foto são imbu cajá, bons para sucos mas não ideais para a imbuzada que pede imbu do mato, daquele redondo, polpudo.

PARA QUEM TEM COCEIRA DE ESCREVER

Preguiçoso, copiei a imagem acima direto do site da PIAUÍ. A ideia é bem-vinda nesta pátria carente de janelas e vitrines para quem não consegue deixar de escrever nem consegue publicar.
Vale a pena passar no site para ler os contos do concurso de fevereiro e os já enviados para o deste mês.

quinta-feira, 15 de março de 2007

EU, CONSUMIDOR...

Foi num 15 de março, há 45 anos, que o presidente americano John Kennedy, enunciou quatro direitos fundamentais do consumidor no Congresso Americano. Era criado, então, o Dia Mundial dos Direitos do Consumidor.

Nesta data quero agradecer pelos péssimos serviços e desrespeitos dessas empresas abaixo, que me ajudam a estudar e conhecer o Código de Defesa do Consumidor:

TELEMAR - Telefonia

COMPESA - Água

CELPE - Energia

PROGRESSO - Transporte

BANCO DO BRASIL - ?

E aos pedreiros da cidade, um cartel que cobra caro e nunca executa o serviço como pedido, nem como combinado, nem com qualidade.

Acendamos também uma vela
à memória do PROCON que não funciona na região do Pajeú.

CONVITE

CHICLETE


Sabe essas músicas de gosto duvidoso que abundam nas rádios e nos cds piratas vendidos aí na esquina da sua casa? Sempre tem uma ou outra que a gente não consegue bloquear e daí colam no nosso ouvido, grudam na mente, de repente nos surpreendemos cantando a música no banheiro, durante o banho! Foi o que aconteceu comigo ontem e hoje. Sei lá... acho que a letra caiu como luva na minha triste realidade sentimental...

Já tomei porres por você
já virei noites pensando em você
já dormi abraçado com uma foto sua
beijando e pedindo pra sonhar com você.

Quem disse que o homem
tem seu jeito de amar diferente da mulher
pode até se enganar.
O coração da gente fica dominado
tudo se transforma
o importante é amar

Já chorei noites por você
já virei noites pensando em você
já dormi abraçado com uma foto sua
beijando e pedindo pra sonhar com você.

Quem disse que a mulher tem seu jeito de amar
diferente do homem
pode até se enganar.
Eu sei que quando rola sentimento
tudo se transforma o importante é amar.

Já tomei porres por você
já virei noites pensando em você
já passei o dia inteiro alugando minhas amigas
só falando em você...

Composição: Rita de Cássia

Tão boas quanto as tirinhas, as frases de efeito nos cabeçalhos do Malvados:


terça-feira, 13 de março de 2007

UM GENOCÍDIO INTELECTUAL



Os últimos resultados das avaliações do ensino básico brasileiro (educação infantil, fundamental e ensino médio) divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) mostram, além do baixo rendimento do ensino fundamental e do ensino médio, o crescente abismo entre a educação pública a particular.

Essa realidade traz graves consequências para a formação ética, política e cultural da sociedade brasileira. Hoje, das 55,9 milhões matrículas no ensino da educação básica, 86,5% são feitas pela rede pública; no ensino médio, 85,15% estudam na rede estadual de ensino.

Os resultados do último Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) revelam, juntamente com a queda do desempenho dos estudantes do ensino médio, a disparidade entre os alunos da escola pública e privada. Aqueles que estudaram somente em escola pública obtiveram média 34,94 na prova objetiva e 51,23 na redação, enquanto o grupo que declarou ter estudado somente em escola particular teve média de 50,57 na parte objetiva e de 59,77 na redação. Além disso, dados do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), aplicado em 2005, revelaram que estudantes da 8ª série do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio do país têm o pior resultado em português e matemática dos últimos dez anos.

O reflexo de uma educação pública que não decola está exposto aos olhos e na própria sociedade. Para o professor Roberto Leher, da Faculdade de Educação da UFRJ e membro do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso) está em curso um "apartheid" educacional e científico-tecnológico que opõem países centrais e periféricos e, dentro de cada país, ricos e pobres.

Fonte: Brasil de Fato / 16/02/2007
CURSO DE PÓS GRADUAÇÃO LATU SENSU
EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

OBJETIVOS - Qualificar profissionais para a compreensão da relação entre educação, sociedade e sustentabilidade com vista à implementação de ações transformadoras da realidade local, a transcender os limites de cada disciplina apresentada e a suscitar novos questionamentos que a temática selecionada exige.

Disciplinas:

Ética ambiental e Modelos político-econômicos
Antropologia política e Educação
Educação e Diversidade
Tecnologias da informação na educação
Língua, Sociedade e Diversidade
Leitura e Produção de textos Científicos
Elaboração e Gestão de projeto de pesquisa
Matemática e Desenvolvimento sustentável
Ciências e Desenvolvimento sustentável
Relações sócio-espaciais e sustentabilidade
Arte e Cultura popular
Orientações monográficas

Mais informações aqui

[]


Do poeta Daudeth Bandeira cantando as águas, "sua maternidade, seu encanto e grandiosidade. Sua importância para a vida e a necessidade de se lidar com ela com a cautela de quem sabe que na sua ausência nada mais existe ou existirá".

ÁGUA é deusa apaixonada
No colo da terra alheia
Acariciando as poupas
Dos seios brancos da areia.
Na cascata se debruça,
Canta, suspira e soluça
Apaixonando o luar,
Tangendo as espumas turvas
Pra despejá-las nas curvas
Das ondulações do mar.

É o símbolo da pureza,
fertilidade e energia,
virtude e sabedoria,
da graça da natureza;
é a fonte de riqueza,
divina e primordial,
preciosa, especial,
exuberante e querida.
A ÁGUA é fonte de vida
sublime e fundamental.

DE BLOGS QUE VISITO...

Lido no Quotidiano da miséria:

A "banalização" da notícia acaba por fazer que ela desapareça. As constantes
notícias sobre atentados e mortes no Iraque, devido a essa mesma constância, já
não chocam nem levam a meditação. Infelizmente.
Só nos últimos três dias, mais de 200 pessoas morreram no Iraque, muitas mais
ficaram feridas, sendo que, previsivelmente muitos desses feridos irão falecer
devido aos ferimentos e á incapacidade de resposta médica (logo existe um número
de mortos que acaba por não ficar quantificado).
A carnificina não tem fim á vista. Pelo contrário, o recente aumento do número
de tropas americanos apenas faz prever a agudização da tragédia.
(LEIA O POST COMPLETO )
Do Blog da SEMIL, casa espírita que freqüento.

sexta-feira, 9 de março de 2007

FORA BUSH!

Carta de Dom Cappio ao Presidente Lula referente a transposição do Rio São Francisco

Rio São Francisco, pintura de Franz Post.
Barra, 21 de fevereiro de 2007
Quarta-feira de Cinzas

Caro Presidente Lula
Paz e Bem!

Escrevo-lhe hoje, dia em que a Igreja do Brasil lança a Campanha da Fraternidade 2007 sobre a Vida da Amazônia e toda a sua riqueza humana e natural.

O objetivo desta carta, amiga e fraterna, é retomar o diálogo que assumimos juntos por ocasião de nosso encontro no dia 15 de dezembro de 2005 em sua sala de trabalho no Planalto.

Agradeço pelas oportunidades que os representantes da sociedade brasileira e os representantes do governo tivemos de debater assuntos tão importantes como: Projeto de Revitalização do Rio São Francisco, Projeto de Transposição de águas do Rio São Francisco, Projeto de Desenvolvimento Alternativo para o semi-árido brasileiro, na busca de um consenso que soe em acontecer numa sociedade democrática.

Retomo quando a humanidade, estarrecida, toma consciência das conseqüências do aquecimento global, com impacto em todo o planeta, particularmente na vida de bilhões de seres humanos, inclusive na já historicamente oprimida e humilhada população nordestina. O nordeste brasileiro vai ficar mais quente, estiagens mais longas, inundações mais arrasadoras, mais dificuldades de se viver.

Retomo quando o senhor fala em iniciar as obras de transposição, consumindo inicialmente 6,6 bilhões de reais, mais de 50% de todo o orçamento destinado a recursos hídricos no Programa de Aceleração de Crescimento (PAC).

Retomo quando o Tribunal de Contas afirma publicamente, em seu relatório, que o Projeto de Transposição das Águas do São Francisco não atinge o número de municípios e de pessoas que afirma atingir.

Retomo quando a Agência Nacional de Águas (ANA), organismo de Estado, criado para pensar estrategicamente o uso da água no Brasil, propõe 530 obras para solucionar os problemas de abastecimento em todos os núcleos urbanos acima de 5.000 (cinco mil) habitantes do semi-árido brasileiro até 2015. Essas obras beneficiariam as populações mais necessitadas, e custaria 3,3 bilhões de reais, portanto, mais baratas, mais abrangentes, mais eficientes que qualquer obra de transposição.

Retomo quando o Rio São Francisco está cheio e sua população ribeirinha, a quinhentos metros do rio, passa sede, como mostrou nessa semana o Jornal Nacional.

Retomo quando menina sem-terra, depois sem-água, morreu afogada num canal que supre os perímetros irrigados de Petrolina, por ter ido “roubar” água para matar sua sede e de sua família.

Em nosso encontro, acima referido, o senhor me disse que “não seria louco de levar essa obra à frente se apresentássemos uma alternativa melhor”. Agora, somando as obras propostas pela ANA juntamente com o trabalho de captação de água de chuva desenvolvido pela Articulação do Semi-Árido (ASA) no meio-rural, o senhor tem uma escolha muito melhor, pela qual realmente seria considerado um governante único no nordeste brasileiro, sua terra natal.

Não faltam alternativas. Falta uma decisão política.

Senhor presidente, sempre vestimos sua camisa. Ainda estamos vestidos nela. Nossa contribuição de fiel militante da causa do povo é para que o senhor seja verdadeiramente aquilo a que se propôs, o de ser o presidente dos pobres deste país.

Receba nossa saudação amiga e fraterna, com os votos de uma Feliz e Santa Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Dom Frei Luiz Flávio Cappio
Bispo Diocesano de Barra - Bahia

QUEM MALTRATA UMA CRIANÇA MERECE SER CASTIGADO
Valdir Teles (VT) e Raimundo Caetano (RC

RC
Criança que nunca erra,
se erra a gente perdoa,
qualquer hora ela é boa,
nem enguiça, nem emperra,
criança em cima da terra
parece anjo sagrado,
o antônimo de pecado
e o reino da esperança.
Quem maltrata uma criança
merece ser castigado.

VT
Criança é figura bela,
pura do jeito da santa,
quando ri ou quando canta,
Jesus está perto dela,
se a pessoa bater nela,
deixa o mundo revoltado,
Deus multiplica o pecado,
já qu’ela não quer vingança.
Quem maltrata uma criança
merece ser castigado.

RC
A mãe cumpre o seu destino
de cuidar e botar brilho,
de dar consolo ao filho,
quando ainda é pequenino,
se está doente o menino,
tenta com todo cuidado,
e quando ele está enfadado,
bota na rede e balança.
Quem maltrata uma criança
merece ser castigado.

RC
Criança é imagem do bem
fotocópia do divino,
que Jesus nasceu menino
na cidade de Belém,
entrou em Jerusalém,
pelas crianças cercado,
mesmo num jeque montado,
falou com a voz bem mansa.
Quem maltrata uma criança
merece ser castigado.

VT
É uma figura inocente,
um seguidor de Jesus,
não me arredo dessa cruz,
para deixá-la contente,
se eu tiver um pão somente,
vendo o menor desprezado,
digo, coma esse bocado,
feliz, ele enche a pança.
Quem maltrata uma criança
merece ser castigado.

VT
A figura mais sagrada
dentro de um ambiente,
que Jesus está à frente
da criancinha mimada,
se a mãe estiver revoltada,
se o pai estiver zangado,
com a criança de lado,
num instante o casal amansa.
Quem maltrata uma criança
merece ser castigado.

VT
Eu tenho na casa minha,
uma garota pequena,
é alegre e me acena,
não tem postura mesquinha,
minha mulher é rainha,
ela o anjo consagrado,
hoje estou velho e cansado,
mas tenho toda a bonança.
Quem maltrata uma criança
merece ser castigado.

RC
A criança do meu lar
todo dia eu quero vê-la,
como um reflexo de estrela,
como brilho do luar,
quero ver o seu olhar,
que esteja sempre a meu lado,
e o seu corpo é perfumado,
como uma flor da ervança.
Quem maltrata uma criança
merece ser castigado.
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